30
Ago 14

Sempre o plural

Até custa a dizer

 

 

   «Isto conta-nos o padre Rufino Xavier, entre as casas de xisto das ruas desta aldeia transmontana, mostrando-nos outro negócio da família, o turismo rural — a taberna será também gerida pelos Xavier. Aos 38 anos, Rufino, reitor do Seminário de S. José em Bragança, não tem pudor em admitir que gosta do negócio» («“Se é preciso fazer alguma coisa, fazemos todos”», Joana Gorjão Henriques, Público, 23.08.2014, p. 8).

   Mas Camilo e qualquer pessoa com os pés assentes na terra e a cabeça nos ombros: «Ora, os Xavieres de sua avó materna eram sangue puro, sem glóbulo de mouro ou judeu» (in A Caveira da Mártir).

 

[Texto 4984]

Helder Guégués às 21:46 | comentar | favorito
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Raças de cães

Cães, não deuses

 

 

   «A popularidade das raças designadas braquicefálicas (animais com focinho muito curto), como o Bulldog Francês, o Pug ou o Shih Tzu, “tem aumentado imenso em todos os países europeus” e tornado o tipo de cirurgias acima descritas mais comuns. É que a selecção propositada de certas características que agradavam esteticamente aos criadores revelaram ter graves “repercussões a nível de [sic] saúde animal”» («Cirurgias estéticas caninas estão a aumentar, para corrigir erros dos homens», Mariana Correia Pinto, Público, 22.08.2014, p. 12).

    Não é assim, cara Mariana Correia Pinto, que se grafam os nomes das raças de cães. E vejo agora que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora já regista, por sugestão minha, «braquicefálico»; antes, só registava «braquicefalia».

 

[Texto 4983] 

Helder Guégués às 20:45 | comentar | favorito
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30
Ago 14

«Contenção/contensão»

São sinónimos

 

 

  «Seja pela forçada contensão, ou pelo espírito de luta evidenciado, esse, claramente!,
 o romance [Podem Chamar-me Eurídice...] capta o leitor: são
 as lutas estudantis antifascistas que muitos de nós vivemos, dadas mais no seu ambiente interior (anímico, e de tarefas clandestinas) que exterior,
 e Lisboa surge como cidade manietada, a que a chuva ténue dá certo brilho mas dificultando a acção comum» («Podem chamar-me Eurídice...», Maria Alzira Seixo, Público, 20.08.2014, p. 39).

 

[Texto 4982]

Helder Guégués às 05:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Ago 14
29
Ago 14

Sempre em inglês

Em inglês, pois então

 

 

     «Diana (nome fictício) tinha decidido ir ao encontro na quarta-feira, no Centro Comercial Vasco da Gama, em Lisboa. Aos 17 anos, já não era a primeira vez que participava numa meet, reunião marcada para a diversão e convívio entre amigos» («Meet: o convívio entre jovens acabou em acusações de racismo», Joana Gorjão Henriques, Público, 22.08.2014, p. 23).

 

[Texto 4981]

Helder Guégués às 06:15 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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28
Ago 14
28
Ago 14

Tradução: «bizcochero»

Não é o mesmo

 

 

  «Cabello observa que até agora só se sabia da existência de três mulheres com as quais Cervantes tinha tido ligações relevantes: Ana Franca de Rojas, de quem teve uma filha, Catalina de Salazar y Palacios, com quem se casou em 1584, e Jerónima Alarcón, a quem o romancista serviu de fiador em 1589. De Magdalena Enríquez sabe-se apenas que era natural de Sevilha e que confeccionava uns biscoitos especialmente duráveis que eram usados para abastecer os navios que zarpavam para a América» («A doceira sevilhana que recebia o salário de Cervantes», Luís Miguel Queirós, Público, 21.08.2014, p. 23).

   São os nossos conhecidos biscoitos de bordo, de mar ou de navio (hardtack, ship’s biscuit ou pilot biscuit, em inglês, mas que recentemente vi traduzido (!) por «acepipe» e «bolacha»). Magdalena Enríquez era, pois, biscoiteira (bizcochera, é o que se lê na imprensa espanhola) e não, como se lê no título deste artigo do Público, doceira.

 

[Texto 4980]

Helder Guégués às 05:45 | comentar | favorito
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27
Ago 14
27
Ago 14

Sobre «prístino»

Não se resiste

 

 

      «Estes seres, que constituem um dos três domínios dos seres vivos a par das bactérias e dos eucariotes (as suas células têm um núcleo celular que contém o ADN), são desprovidos de núcleo celular e, na água prístina do lago Whillans, a uma temperatura abaixo dos zero graus e na mais profunda escuridão, alimentam-se de metano e amónio, que convertem na energia de que necessitam para viver» («Há mesmo vida nas profundezas da Antártida», Filomena Naves, Diário de Notícias, 21.08.2014, p. 22).

     Imagino que se pretenda traduzir o termo inglês pristine. A tentação, compreende-se, é logo traduzir por «prístino», que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora define como «poético antigo; primitivo; prisco». Talvez «primitivo» seja a melhor equivalência.

 

[Texto 4979] 

Helder Guégués às 06:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Ago 14
26
Ago 14

Yazidis, pré-cristãos

Isso diz pouco

 

 

   «Ele faz parte das dezenas de milhares de refugiados yazidis, uma minoria religiosa pré-cristã que foi obrigada a fugir face ao [sic] avanço dos extremistas islâmicos, que os consideram adoradores do demónio» («Yazidis são enterrados vivos pelos jihadistas», Público, 20.08.2014, p. 20).

    Não sei se é informação muito relevante dizer-se que é uma minoria pré-cristã. Creio que não. Já se indicarmos que se trata de uma minoria que professa um credo sincrético, talvez o leitor fique a saber mais e até com curiosidade.

 

[Texto 4978]

Helder Guégués às 06:15 | comentar | favorito
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Ago 14
25
Ago 14

Léxico: «bivacar»

Vê-se agora muito

 

 

      «De acordo com informação da Câmara de Ourém, a capela, cuja data de fundação se desconhece, é “muito antiga”, porque em 1682 já anunciava [sic] ruína. “Algures ali bivacaram El-Rei D. João I e o Condestável D. Nuno com as suas tropas, em 11 de Agosto de 1385, quando seguiam para a batalha de Aljubarrota, e, em 1810, a capela foi incendiada pelas invasões francesas”, refere a autarquia, acrescentando que o seu adro foi utilizado para a realização de feiras» («Ourém requalifica capela ligada à história da Batalha de Aljubarrota», Público, 20.08.2014, p. 13).

 

[Texto 4977]

Helder Guégués às 06:00 | comentar | favorito
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Ago 14
24
Ago 14

Ainda sobre «precaridade»

«Malogrei»!?

 

 

   Sobre «precariedade/precaridade», hoje há mais um episódio, pois o director-geral do Tribunal de Contas, em ofício ao provedor do leitor do Público, veio estranhar a «simplicidade do comentário». Por isso, novo «Comentário do provedor: Já escrevi ao director-geral do Tribunal de Contas, conselheiro José F. F. Tavares, a penitenciar-me da “estranha simplicidade” do meu comentário. Baseado nas fontes por mim adoptadas (Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, no S.O.S. — Língua Portuguesa, da autoria de Sandra Duarte Tavares e Sara de Almeida Leite) malogrei na convicção de que a forma correcta era “precariedade”. Afinal, as duas formas são admitidas. Errando se aprende. Sinceramente, não pretendi ironizar com o Tribunal de Contas.»

 

[Texto 4976]

Helder Guégués às 10:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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