09
Set 14

Já não há godemichés

Temos de o pôr lá (ou será meter?)

 

 

      De afrancesado que era, o País passou a completamente anglicizado. Por exemplo: aqui um poeta, morto há séculos, canta os préstimos do godemiché, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora desconhece. Contudo, o Dicionário de Francês-Português, que regista o termo francês godemiché, tinha de descalçar a bota — mas como? Dando-lhe como equivalente o «português» dildo ou, vá, numa traição quase impensável, o brasileiro consolador.

 

 [Texto 5027]

Helder Guégués às 20:25 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Como falam os políticos

Não conheço outros

 

 

      Christine Lagarde, directora do Fundo Monetário Internacional, elogiou Espanha, por ser o único país da zona euro a progredir graças às reformas estruturais, e nada disse de Portugal. Para Paulo Portas, «só pode ser um lapso involuntário».

 

 [Texto 5026]

Helder Guégués às 15:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Porque» e «por que»

Não está bem

 

 

      «Mas afinal qual é o espanto? Para argumento fácil, retalie-se com “fácil e meio”. Se alguém defende vigorosamente, por horror ao centralismo e à ineficiência, que o Reino Unido deve sair da União Europeia, porque é que não há-de admitir-se que, por igual horror ao centralismo e por amor ao dinheiro do petróleo, a Escócia abandone o Reino Unido e volte ao trilho histórico da independência? Se alguém julga estar submetido ao centralismo de Londres, porque razão há-de ter medo do centralismo de Bruxelas (que é bem menor, está menos enraizado e afinal fica mais longe)?» («O ricochete inglês (da Europa para a Escócia)», Paulo Rangel, Público, 9.09.2014, p. 44).

      Então não se trata, caro Paulo Rangel, da preposição «por» seguida do pronome relativo «que», o que equivale a «por qual»?

 

[Texto 5025]

Helder Guégués às 08:54 | comentar | favorito
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A escolha das palavras

Escrever é isso

 

 

      «De há muito [sic] que, nestas linhas, se fala da questão escocesa e do referendo que entretanto terá lugar. E obviamente, qualquer que seja o resultado, das suas repercussões sobre a questão catalã, basca, flamenga e do Norte de Itália. E bem assim das inúmeras dificuldades que uma eventual acessão da Escócia à independência trará à União Europeia» («O ricochete inglês (da Europa para a Escócia)», Paulo Rangel, Público, 9.09.2014, p. 44).

      Claro que sim, «acessão», de «aceder», mas a mim ocorre-me logo o conceito jurídico. E a Paulo Rangel, licenciado em Direito, não? O que está em causa é a escolha da melhor palavra, que não foi a mais adequada, como também neste caso: «O caso mudou de figura no fim-de-semana que passou, porque apareceram sondagens que dão uma vitória ao “sim”
 à independência ou que, pelo menos, apertaram, e muito, a anterior diferença entre o “não” e o “sim”. Devo dizer que, embora nunca tenha afastado e não afaste um prognóstico de vencimento do “sim”, estimo que o “não” acabará por ganhar.»

 

[Texto 5024]

Helder Guégués às 08:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Nomes de espécies nos dicionários

Deviam estar nos dicionários

 

 

      «“Esta família de lontras são da espécie asiática lontra-de-garras-curtas (Amblonyx cinereus), e ao contrário da lontra-europeia (Lutra lutra), que também integra a colecção do Fluviário de Mora, formam núcleos familiares de mais de uma dezena de indivíduos”, lê-se na nota. Esta espécie de lontras forma um casal para toda a vida e apenas o casal dominante se reproduz» («Há mais quatro crias de lontra no Fluviário», Marisa Soares, Público, 2005, 8.09.2014, p. 16).

 

[Texto 5023]

Helder Guégués às 08:07 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Sobremaneira» sem anteparos

É agora

 

 

  «Interessa-me, no entanto e de sobremaneira, esta agitação dos partidários do “não” que, de repente, entraram em pânico e tomaram consciência de que a possibilidade de secessão era uma realidade e não uma simples quimera. A comoção gerada pelas sondagens foi tal que o ministro das Finanças de Cameron veio prometer 
uma ampla devolução de poderes em matéria fiscal e orçamental no caso do [sic] “não” ganhar” [sic]. E de um modo oficioso, rompendo a tradicional discrição e comedimento — de resto, impostos pela Constituição —, a própria casa real britânica deixou passar para os jornais um grande incómodo e desconforto [sic] com uma eventual vitória do “sim”» («O ricochete inglês (da Europa para a Escócia)», Paulo Rangel, Público, 9.09.2014, p. 44).

      Paulo Rangel tem de saber que o advérbio «sobremaneira» não precisa do anteparo de nenhuma preposição.

 

[Texto 5022] 

Helder Guégués às 07:52 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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09
Set 14

«Boídeos/boídeo»

Família sem espécime

 

 

      Vê-se muito no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora e noutros dicionários: registava «Boídeos», a família, mas não acolhia, como devia, «boídeo», o espécime. Por sugestão minha, passou a incluí-lo.

 

[Texto 5021]

Helder Guégués às 07:25 | comentar | favorito
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