05
Out 14

Contracção de pronomes

Mesmo os profissionais

 

      «– Oiça, faça o seguinte – prosseguiu ela –, vá até lá amanhã, o mais cedo que puder, e se houver alguma novidade, comunique-me imediatamente» (Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski. Tradução do francês de Maria João Lourenço. Lisboa: Clube do Autor, 2013, p. 94).

    Parece-me que quem escreve tem receio de usar contracções, mesmo quando são obrigatórias, como é o caso. Trata-se da contracção de dois pronomes: me, complemento indirecto, e a, complemento indirecto que substitui a palavra «novidade». Logo, «comunique-ma». O mais grave, aqui, é que o segundo pronome desapareceu.

 

[Texto 5121]

Helder Guégués às 22:49 | comentar | favorito
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«Ganhou por à volta de»!

Adeus, eufonia

 

      «Depois de Bernardino veio Sidónio Paes (em 1917) também trazido por uma insurreição 
da tropa. Sidónio revogou a Constituição de 1911, inventou outra mais conveniente à sua situação e à sua política e convocou eleições directas para a Presidência da República. Ganhou por à volta de 500.000 votos, num clima que roçava o terror. Não lhe serviu de muito» («Presidentes?», Vasco Pulido Valente, Público, 5.10.2014, p. 56).

 

[Texto 5120]

Helder Guégués às 15:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Nem novas nem mandados»

Nada escapa

 

      Caramba, erram em tudo. «Nem novas nem mandadas», escrevem aqui. Vão atrás, há-se ser essa a razão, das «novas» (saberão que significa «informação sobre algo ou alguém; notícias; novidades»?), e por isso acham que também fica no feminino. Mas não: é «mandados», ou seja, recados.

 

[Texto 5119]

Helder Guégués às 14:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Contagioso/contagiante»

Não é uma doença

 

  «E que contagiosa é essa alegria!» (Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski. Tradução do francês de Maria João Lourenço. Lisboa: Clube do Autor, 2013, p. 88).

      Era assim que eu escreveria — se o fizesse em italiano: «E come è contagiosa questa gioia!» Apesar de serem sinónimos, «contagioso» e «contagiante» usam-se em contextos diferentes.

 

[Texto 5118]

Helder Guégués às 11:10 | comentar | favorito (1)
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«Quando mais não seja»

Por uma letra

 

      «– Sim, quanto mais não seja, por isso» (Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski. Tradução do francês de Maria João Lourenço. Lisboa: Clube do Autor, 2013, p. 83).

      Quase acertavam: quando mais não seja, isto é, quando por outra coisa não for.

 

[Texto 5117]

Helder Guégués às 11:07 | comentar | favorito
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05
Out 14

Ortografia: «Por que carga de água»

Nem a própria bátega

 

      «– Oiça – interrompeu-me Nástenka, que me ouvira espantada desde o início, com os olhos e a boca muito abertos –, escute uma coisa: não sei explicar por que carga-d’água aconteceu tudo isso, nem porque me vem com essas perguntas absurdas» (Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski. Tradução do francês de Maria João Lourenço. Lisboa: Clube do Autor, 2013, pp. 50-51).

   Ortografia fantasiosa, como no século XIX. Há-de ser capricho antiortográfico da tradutora — mas o revisor não fez nada?

 

[Texto 5116]

Helder Guégués às 10:33 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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