09
Out 14

«Teste de condução»

Não vem de carrinho

 

      Quem diria... Um vendedor de automóveis mandou uma mensagem a dizer que já tem o «NX300h para teste de condução; quando lhe for oportuno marcar, diga-me que eu passo por aí com uma viatura para experimentar». Ora vejam se ele precisou de usar palavras inglesas para dizer o que tinha para dizer. Um exemplo para tradutores e jornalistas.

 

[Texto 5137]

Helder Guégués às 15:41 | comentar | favorito
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Léxico: «diz-que-diz»

E não são boatos

 

      Outra falha assinalável do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: regista diz-que-diz-que (que parece um disco riscado) e esquece-se de uma variante muito mais usada: diz-que-diz.

 

[Texto 5136]

Helder Guégués às 08:55 | comentar | ver comentários (2) | favorito

E se eles pensam que...?

Um pouco antes do tempo

 

  «Tendo isto escutado, milhares de almas,
 até entre a maioria, começaram 
a esfregar as mãos de contente» («O suicídio político de Passos Coelho», João Miguel Tavares, Público, 9.10.2014, p. 56).

    Não é nada de especial, bem sei, o pior é se alguém, incluindo o autor, pensa que assim é que está correcto. E devo dizer que nunca como desta vez fiquei com tanta vontade de ler a próxima crónica de João Miguel Tavares. É que ele não acabou esta, que ficou assim: «A teimosia que o salvou no Verão de 2013 está a». A culpa, porém, há-de ser do paginador, que começou a dormitar neste preciso ponto. Um pouco antes do tempo.

 

[Texto 5135]

Helder Guégués às 08:20 | comentar | favorito
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Designação binominal

Talvez nunca tenha visto

 

      «Portugal vai acolher, durante o período de pelo menos um ano, uma plantação de cannabis destinada à produção de medicamentos no Reino Unido. […] A autorização foi concedida ainda em Setembro pelo regulador português no âmbito das suas funções e publicitada através do aviso n.º 10618/2014, em que se explica que o direito ao cultivo e à exploração de cannabis sativa foi dado a uma empresa pelo período de um ano, que pode ser renovável por igual período caso o Infarmed nada diga até 90 dias antes do fim do prazo» («Portugal autoriza plantação de cannabis destinada ao Reino Unido», Romana Borja-Santos, Público, 9.10.2014, p. 12).

      Primeiro, cannabis, e está certo, embora se escrevesse canábis ainda fosse melhor; depois cannabis sativa (e, mais à frente, cannabis sativa L), que está errado. Tome nota, Romana Borja-Santos: na designação binominal, o primeiro nome grafa-se sempre com maiúscula inicial.

 

[Texto 5134]

Helder Guégués às 08:03 | comentar | favorito
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09
Out 14

O valor dos tempos verbais

O mistificador

 

     «Durante o debate, o ministro [Crato] foi acusado de ter mentido ao Parlamento, a 18 de Setembro, quando afirmou que os professores colocados, dias antes, no âmbito da BCE, se manteriam e ninguém seria prejudicado. “Todas as minhas afirmações na altura têm de ser lidas com atenção e interpretadas dentro do quadro legal”, começou ontem por dizer o ministro. Acrescentou que, quando disse que “os professores colocados mantêm-se”, queria dizer “como é evidente” que se mantinham “até à nova lista de colocação corrigida, que tacitamente revoga a anterior”. Assim, frisou, disse “mantêm-se” e não “manter-se-ão”» («Docentes prejudicados no concurso podem vir a ser compensados», Maria João Lopes, Público, 9.10.2014, p. 10).

    Sendo assim, quando afirmou que os professores se mantinham e não que se manteriam não estava a prometer nada. Só que, na altura, parecia — e pareceria a qualquer pessoa de boa-fé — uma promessa. Uma mistificação completa. É a ocasião para os professores (e os sindicalistas, que têm mais tempo) reverem o valor dos tempos verbais.

 

[Texto 5133]

Helder Guégués às 07:06 | comentar | favorito
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