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Out 14

As interjeições pluralizam?

É igual

 

      «No passado dia 10, Violeta Bulc venceu outro desafio. O governo de Liubliana tem de escolher nova candidata para comissária europeia, depois do chumbo da anterior. E Cerar não hesita: Bulc é a opção. Mas esta escolha não foi pacífica. Colocada a votação no Executivo, sete ministros votaram contra, alegando que ela está há muito pouco tempo na política, seis votaram a favor e dois abstiveram-se. O primeiro-ministro resolveu as coisas a seu modo: contou as duas abstenções como dois sins e Bulc fez as malas para rumar a Bruxelas» («A comissária europeia que caminha sobre o fogo», Lumena Raposo, Diário de Notícias, 15.10.2014, p. 48).

      Qualquer palavra, seja qual for a classe gramatical a que pertença, pode ser substantivada. Assim, os modernos dicionários já a registam também como substantivo. Será diferente com as interjeições? Um exemplo, entre dezenas que podia encontrar: «Entre ahs, ohs, hums, e outras manifestações de algum espanto, ela ali estava, sobressaindo entre todas as demais» (Memórias de Um Espermatozóide Irrequieto, Maria Guinot. Lisboa: Âncora Editora, 2004, p. 123). Parece que, embora se possa flectir em número, não sofre nenhuma alteração de sentido — mas justificará isso que «hum» pluralize em «hums» e não em «huns»?

 

[Texto 5154]

Helder Guégués às 14:01 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «fitoestrogénio»

Ficamos à espera

 

      «Chama-se Bust-Up, é uma pastilha elástica com sabor a rosa (!) e está a arrasar o mercado japonês. Porquê? Porque, ao ser mastigada (três a quatro vezes por dia, aconselha o produtor), liberta gradualmente compostos de uma planta originária da Tailândia e Birmânia, a pueraria mirifica [sic]. Acontece que a dita plantinha contém uns químicos, os fitoestrogénios, que reproduzem os efeitos da hormona feminina estrogénio» («Pastilha elástica promete aumentar os seios», Público, 23.03.2005, p. 46).

    Sim, já foi há muitos anos, ou seja, a palavra não aparece muito na imprensa, o que é natural, mas não justifica, ainda assim, a sua ausência dos dicionários.

 

[Texto 5153]

Helder Guégués às 13:39 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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O fascínio do inglês

Já agora, em alemão

 

      «O surf na sua vida era meant to be e surgiu nos tempos livres, depois das aulas no colégio alemão e intercalado com lições de piano. Explica que, porque o caminho dos pais, “académicos e trabalhadores”, nunca teve nada que ver com desporto, inicialmente a sua decisão em se tornar surfista profissional não foi muito levada a sério» («Nic von Rupp: “Nasci em Portugal, cresci em Portugal e o meu surf é português”», Sara Sanz Pinto, Diário de Notícias, 15.10.2014, p. 46).

 

[Texto 5152]

Helder Guégués às 10:14 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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15
Out 14

Fídias desfigurado

Ah, sim, muito conhecido

 

      «Amal está envolvida nesta disputa desde 2011, altura em que Norman Palmer, advogado especialista em assuntos relacionados com restituições culturais, redigiu, juntamente com Geoffrey Robertson e outros juristas (entre os quais a mulher de Clooney), um documento em que era apontado o caminho a seguir pela Grécia para recuperar as esculturas de mármore. A viagem das estruturas, esculpidas por Phidias no século V a. C., começa no século XIX quando Thomas Bruce, conde de Elgin, obteve uma controversa autorização, enquanto embaixador britânico no Império Otomano, para transportar parte do Pártenon para Inglaterra» («Sra. Clooney quer levar estátuas de volta à Acrópole», Raquel Costa, Diário de Notícias, 15.10.2014, p. 43).

      A jornalista escreveu assim porque: a) não sabia, e estava com pressa; b) não é erro, é assim que se escreve (em inglês...); c) está errado, mas foi o editor.

 

[Texto 5151]

Helder Guégués às 09:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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