Novo dicionário da RAE

Já veremos

 

      Saiu a 23.ª edição do dicionário da Real Academia Espanhola. Ainda não sei se é boa ou má, mas Borges dizia: «Cada nueva edición hace añorar a la anterior.» Os números impressionam — 19 000 americanismos, 140 000 emendas, 5000 novas palavras, 1350 supressões, etc. —, mas os casos concretos impressionam mais. Por exemplo, certas acepções desapareceram dos verbetes. De «feminino», eliminaram as acepções «débil» e «endeble»; de «masculino», «varonil» e «enérgico», mas mantiveram (que remédio!) «sexo débil» e «sexo fuerte». Aqui, podemos fazer uma pausa e comparar com o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que em «feminino» não insinua nenhuma fraqueza ou debilidade, mas em «masculino» já não prescinde da acepção «que manifesta masculinidade; viril; varonil». Quanto às 1350 palavras que desapareceram: o critério foi o eliminar as palavras que deixaram de se usar desde o século XV. Passam a fazer parte de um tesouro lexicográfico, ainda que algumas sejam fantasmas lexicográficos, que também há nos nossos dicionários, e em especial, pela sua dimensão, no Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenado por José Pedro Machado. Outro exemplo: «galego» deixou de ser sinónimo de tonto. Voltaremos a este assunto.

 

[Texto 5161]

Helder Guégués às 10:02 | comentar | favorito
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