19
Out 14

Léxico: «copinho-de-leite»

Um ex-maricas em Vila Cabral

 

      «Um soldado loiro, com patilhas à toureiro e tatuagens nos braços, chamou-te copinho de leite, que é o mesmo que dizer maricas, e o medo só te largou depois de saltares da Berliet em Vila Cabral» (O Que agora Me Inquieta, Carlos Coutinho. Lisboa: Livros Horizonte, 1985, p. 80).

   Está no Vocabulário Ortográfico, mas não a encontramos no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, onde fazia mais falta. Por vezes, e bem, vê-se grafada com hífenes, copinho-de-leite (milksop, para a legião de anglófonos que nos segue).

    A propósito de maricas, na 23.ª edição do dicionário da Real Academia Espanhola, agora diz-se que marica é «malsonante y despectivo»; antes, era o «hombre afeminado y de poco ánimo y esfuerzo»; agora, é «1. Femenino. 2. Dicho de un hombre: Apocado, falto de coraje, pusilánime o medroso. 3. Dicho de un hombre homosexual.»

 

[Texto 5165]

Helder Guégués às 23:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Títulos e nomes

 

Senhores jornalistas, sobre este é que podem escrever «falou-lhe de Dalaiama»;

se é de Tenzin Gyatso, é «falou-lhe do Dalai-Lama». Percebem a diferença?

Helder Guégués às 22:07 | comentar | favorito
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Põe quanto és/ No mínimo que fazes.

 Nada escapa: erros por todo o lado. A tinta, porém, era boa.

Helder Guégués às 21:56 | comentar | favorito
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Não é variante

Perto ou longe, errado

 

      «O comportamento dos professores», escreve o autor (e professor), «está sempre a ser escortinado pelos alunos.» É quase o oposto. Escortinar é sinónimo de «descortinar» (mais um duplo, de que temos largas centenas), pelo que significa descobrir ao longe; avistar, ao passo que escrutinar, que era o que o autor pretendia escrever, é examinar com muita atenção — o que normalmente se faz ao perto. Talvez com uns binóculos SkyHawk 9600 se possa fazer o mesmo ao longe.

 

[Texto 5164]

Helder Guégués às 18:58 | comentar | favorito
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Erros a pedido

Quase perdido na tradução

 

   «Mais tarde, uma palavra foi mudada na tradução inglesa do documento [Relatio synodi]. Sobre os homossexuais, em vez de “welcoming home”, de acolher, surgiu “providing home”, quando a primeira era a mais correcta, já que o texto original em italiano dizia “accogliere”. O que importa é o texto italiano, esclareceu o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, e o que se passou é que houve um grupo de língua inglesa que pediu a alteração, explicou» («Um documento de prenúncio de uma Igreja que não muda», Bárbara Wong e Natália Faria, Público, 19.10.2014, p. 7).

 

[Texto 5163]

Helder Guégués às 16:30 | comentar | favorito
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19
Out 14

Léxico: «pélete»

Não são bem bolinhas

 

   «No ano passado, o país passou a quarto maior exportador de “peletes” (unidades de combustível orgânico, comprimido) para a Europa, lugar do qual destronou a Rússia, respondendo à tendência europeia de aumento do consumo deste produto energético» («O país descobre o lugar da biomassa, calor em vez de electricidade», Lurdes Ferreira, Público, 19.10.2014, p. 20).

      Nem sequer uma vez a jornalista usou a palavra sem a amparar com aspas. Para quê, pode saber-se? Já falei desta palavra no Assim Mesmo. Entretanto, só uma coisa mudou: passou a estar registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora com a grafia pélete: «cada uma das pequenas pastilhas de forma cilíndrica constituídas por resíduos de madeira seca, triturados e comprimidos, e que são utilizadas como combustível em caldeiras, salamandras e recuperadores de calor».

 

[Texto 5162]

Helder Guégués às 16:09 | comentar | favorito
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