20
Out 14

Léxico: «glia» e «oligodendrócito»

Sempre só metade

 

   «Pela primeira vez, uma equipa internacional de cientistas, entre os quais uma portuguesa, demonstrou experimentalmente que a mielina, um ácido gordo produzido por certas células da “matéria branca” — ou glia — do cérebro dos mamíferos, desempenha um papel fulcral na aprendizagem de tarefas motoras complexas. […] As células que produzem mielina são, justamente, células da glia. “No sistema nervoso central, os axónios são envolvidos por mielina que é produzida um outro grupo de células: os oligodendrócitos. A mielina permite não só a condução rápida dos impulsos nervosos como a sobrevivência das próprias células nervosas”, explicou ao PÚBLICO a co-autora Joana Paes de Faria, do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto [IBMC]» («“Matéria branca” do cérebro é vital para aprender novas tarefas motoras», Ana Gerschenfeld, Público, 20.10.2014, p. 28).

   O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «glia», mas remete para «nevróglia»; já «oligodendrócito» não está em nenhum dos dicionários que consultei.

 

[Texto 5168]

Helder Guégués às 22:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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«Piripíri» e «molho tártaro»

Demasiados hífenes

 

   «A marca de molhos Paladin, produzida na Golegã pela Mendes Gonçalves, vai estar à venda na Índia já em Novembro, em parceria com uma empresa local. Para atrair a nova classe de consumidores, “mais exigentes”, a Mendes Gonçalves vai posicionar-se no segmento premium e distribuir os seus molhos e piri-piris em lojas especializadas. […] Marrocos foi a primeira aposta e produtos como o ketchup com basílico, molho-tártaro ou saquetas de molho picante (produzidos em exclusivo para o consumidor local) estão à venda em 700 lojas de comércio tradicional. João Pilão adianta que serão lançados cinco novos produtos e a distribuição será alargada às cadeias de distribuição moderna, ou seja, aos hiper e supermercados» («Portuguesa Paladin chega à Índia este ano para atrair a classe média emergente», Ana Rute Silva, Público, 20.10.2014, p. 19).

    A grafia é piripíri, cara Ana Rute Silva. No molho, entram vários (poucos, na verdade) ingredientes, mas não hífenes. Molho tártaro, então (que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não acolhe).

 

[Texto 5167]

Helder Guégués às 22:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
20
Out 14

«À falta de argumentos»

Até parece mentira

 

      «Há falta de argumentos, resolveu ceder», escreve o nosso autor (e professor, e professor, digo a verdade e persigno-me), até parece mentira, mas é sempre verdade. Hoje vou citar Álvaro Cunhal, até para contrabalançar, porque já citei muitas vezes o Estorvo. «Merece», escreveu por alturas do Verão Quente, «porém, nos dias de hoje, mais uma palavra, porque, à falta de argumentos teóricos e de factos comprovativos das próprias concepções e posições, o boato tornou-se para alguns uma justificação e uma arma de propaganda» (A Revolução Portuguesa, Álvaro Cunhal. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1975, p. 142).

 

[Texto 5166]

Helder Guégués às 00:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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