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Out 14

Tradutores, precisam-se

Mais trapalhadas com o inglês

 

      Mais um erro de tradução a ensombrar o Sínodo dos Bispos sobre a Família, que terminou este domingo. A versão inglesa (não oficial) do relatório intercalar, no ponto 50, sobre os homossexuais, dizia: «Are our communities capable of providing that, accepting and valuing their sexual orientation.» Não fazia sentido (era passar de 8 para 80), mas como o inglês impera, foi desta versão que a comunicação social em todo o mundo extraiu as suas precipitadas conclusões. Na versão italiana do documento, lê-se: «Le nostre comunità sono in grado di esserlo accettando e valutando il loro orientamento sessuale, senza compromettere la dottrina cattolica su famiglia e matrimonio?» E valutare, neste contexto, traduz-se por «ter em conta», não «valorizar».

 

[Texto 5173]

Helder Guégués às 19:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Queijo... genérico

Aqui, o inglês vale menos

 

      «O Acordo Económico e Comercial Global entre a UE e o Canadá, alcançado a 18 de Outubro de 2013 e à espera de ser aprovado pelo Parlamento Europeu, já deu alguns passos na protecção das denominações de origem, nomeadamente do Parmigiano-Reggiano. “Foi conseguida a protecção do nome. Se estiver em italiano, significa que é o original; se estiver em inglês, é genérico. Isso ajuda os consumidores canadianos a identificarem o verdadeiro produto”, explica Roger Waite, porta-voz do executivo comunitário para a Agricultura» («Em Itália o parmesão é um assunto sério», Ana Rute Silva, Público, 21.10.2014, p. 23).

 

[Texto 5172]

Helder Guégués às 09:42 | comentar | favorito
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Mais um bocadinho de inglês

Falta sempre qualquer coisa

 

  «Desta vez, a engenharia do CEIIA teve a responsabilidade de desenhar e fazer cálculos de resistência estrutural de uma parte central do dorso do avião (sponson, em inglês), onde se vão instalar as portas do trem de aterragem, dos elevadores das asas traseiras, cada um com seis metros, e ainda da fuselagem. “Foram ao todo 1600 peças desenhadas de acordo com os standards mais exigentes que se conhecem”, diz Bettencourt» («Asas e barriga do KC-390 brasileiro têm marca da engenharia portuguesa», Manuel Carvalho, Público, 21.10.2014, p. 2).

   Acepção que falta, por exemplo, no Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora, para o qual sponson ou é a «projecção, saliência lateral a bordo de navio de guerra para permitir a movimentação das peças» ou, nos navios, a «plataforma triangular junto da roda propulsora».

 

[Texto 5171]

Helder Guégués às 09:40 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Sempre foi Espártaco

Adeus, Antiguidade clássica

 

      «Os gladiadores eram escravos, criminosos ou prisioneiros obrigados a combater em duelos públicos financiados pela classe alta romana para entreter o povo. Durante séculos, estes homens eram alimentados e exercitados em escolas de gladiadores para lutarem em público uns contra outros ou contra animais selvagens. A morte era frequente. O imaginário desta realidade desumana é retratado filmes [sic] como Gladiador ou na história várias vezes narrada de Spartacus, um escravo trácio que se rebelou contra os romanos e formou o seu próprio exército» («Gladiadores romanos bebiam um cocktail de cinzas para os ossos», Nicolau Ferreira, Público, 21.10.2014, p. 29).

 

[Texto 5170]

Helder Guégués às 09:37 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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21
Out 14

«Lagostim-vermelho-do-luisiana»

Se, então

 

   «O número de ninhos de cegonhas-brancas em Portugal aumentou cerca de 50% na última década, segundo os resultados preliminares do censo nacional da espécie realizado este ano. E, ironicamente, os principais responsáveis por este sucesso são dois problemas ambientais: o lixo e a praga dos lagostins-vermelhos. […] As cegonhas também passaram a ter no seu menu o lagostim-vermelho da Luisiana (Procambarus clarkii), um crustáceo originário do Sudeste dos Estados Unidos, introduzido em aquaculturas em Espanha na década de 1970 e que rapidamente se espalhou por toda a Península Ibérica» («Ninhos de cegonhas em Portugal aumentaram 50% em dez anos», Ricardo Garcia, Público, 21.10.2014, p. 14).

    Se escreve cegonha-branca, então, Ricardo Garcia, também tem de escrever lagostim-vermelho-do-luisiana. Chamam-lhe lógica. Ora pense lá. Ambos os vocábulos estão ausentes do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 5169]

Helder Guégués às 09:26 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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