24
Out 14

Filme da série B

Ai as aspas...

 

      «Da sua boca saía a verdade límpida
 e salvífica, da boca da oposição
 a babugem nojenta da mentira. Veio também a cena de heroísmo, muito típica destes melodramas. Passos Coelho jurou em público, numa tirada de filme “b”, que nunca abandonaria Nuno Crato. “Até à morte ou à vitória, pela nossa honra, S. Jorge e Portugal”, disse ele aproximadamente ao abananado matemático. A audiência quase que chorava» («Uma figura histórica», Vasco Pulido Valente, Público, 24.10.2014, p. 60).

      Até os poetas — muito dados a maluquices ortográficas e sintácticas — fazem melhor: «O rio na sua elegância/Não me oferece a metáfora da paixão./As suas luzes não passam de mãos assassinas/Submissas ao director dum filme/Da série B./E todo o meu alimento visual/É uma varanda no Tejo/Um patamar fingindo corpos e fantasmas/Correndo em câmara lenta» («A Noite e O Rio», O Que Foi Passado a Limpo: Obra Poética 1965-2005, Armando da Silva Carvalho. Lisboa: Assírio & Alvim, 2007, p. 536).

 

[Texto 5181]

Helder Guégués às 15:17 | comentar | favorito
Etiquetas:
24
Out 14

Uma ortografia doente

Pobres leitores, pobre língua

 

  «A maior parte (15,1 milhões) é para realizar ensaios clínicos na Europa e África, coordenados pelos laboratórios GlaxoSmithKline, de uma vacina experimental. O resto é partilhado entre os já referidos ensaios de utilização de soro; um estudo de segurança e eficácia contra o ébola de um anti-viral usado contra a gripe (2,6 milhões); um estudo sobre a segurança e eficácia do uso nos doentes de anticorpos anti-ébola produzidos em cavalos (2 milhões); e uma pesquisa sobre as interacções do vírus de ébola com o organismo humano (1,8 milhões)» («Ensaio clínico para soro anti-ébola», Ana Gerschenfeld, Público, 24.10.2014, p. 35).

   Já são muitos erros, Ana Gerschenfeld. É claro que se escreve antiviral. Quanto ao «anti-ébola», o erro é duplo: teria de ser *«antiébola». Mas não: não temos antiemese, mas antiemético; não temos antiepilepsia, mas antiepiléptico; não temos antiepidemia, mas antiepidémico, e por aí fora. Então, se tivéssemos necessidade (temos?), criaríamos o adjectivo «antiebólico».

 

[Texto 5180]

Helder Guégués às 14:33 | comentar | favorito
Etiquetas: