26
Out 14

«Eh pá», isso sim

Fica em má companhia

 

   «Durante meses, usou uma ortótese da cintura ao queixo. Parecia a pintora Frida Kahlo. Um dia, fartou-se de tanto desconforto: tirou aquilo. “É pá, não preciso assim tanto de andar com a coluna tão direitinha! Prefiro ficar um bocado marreco e sentir-me um bocado bem no dia-a-dia.”» («“Um tipo todo torto que insiste em ter uma vida normal”», Ana Cristina Pereira, «2»/Público, 26.10.2014, p. 22).

    Não é assim, Ana Cristina Pereira. Há uns anos, foram — lembram-se? — os Fedorentos, ou alguém por eles, num daqueles anúncios que nunca têm graça (sim, falo por mim — como sempre), que escreveram desta maneira, ou talvez ainda pior. Mas não: escreve-se «eh pá».

 

[Texto 5187]

Helder Guégués às 21:58 | comentar | favorito
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Léxico: «quimioterapêutico»

Outra ausente

 

      «É o novo desafio: salvar a audição de João. Encontrar forma de fazer um tratamento quimioterapêutico que está disponível em Manchester, no Reino Unido» («“Um tipo todo torto que insiste em ter uma vida normal”», Ana Cristina Pereira, «2»/Público, 26.10.2014, p. 23).

      Outra ausente do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 5186]

Helder Guégués às 21:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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26
Out 14

Sobre «estória»

Ah, foste tu

 

      «O seu texto [Grande Sertão: Veredas] é o registo da fala de um só locutor, sem palavras directas do interlocutor; essa técnica lembra a estória (arcaísmo que Rosa recuperou para opor a ficção à história) “O espelho”, ou “Antiperipleia”, mas sobretudo “Meu tio o Iauaretê”, escrito, note-se, em 1955» («Grande Sertão: Veredas, grande romance», Arnaldo Saraiva, Público, 26.10.2014, p. 63).

      Não faz falta, bem sabemos, mas fica bem numa obra-obra, «o mais genial romance em português», chama-lhe Arnaldo Saraiva. Vamos ver como saiu a edição fac-similada que o Público traz (+ 5,95 euros) na próxima terça-feira.

 

[Texto 5185]

Helder Guégués às 20:30 | comentar | favorito
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