27
Out 14

Sobre «pobreza»

Fazer o mal e a caramunha

 

      «Já o ex-ministro Bagão Félix admite que tenha subjazido ao anúncio dos cortes uma tentativa de desviar as atenções. “Está a haver um excesso de medidas e de preocupações para atacar situações de desajustamento ou até mesmo fraude, que certamente existem, como se o problema das finanças públicas estivesse centrado nesta questão. Numa altura em que andamos a discutir se os contribuintes vão pagar o BES, a questão dos swaps, do BPN, de uma série de maus investimentos de milhões e milhões, o Governo de repente recentra o debate como se o cancro social estivesse nas prestações contributivas. E sabe quantas vezes aparece a palavra pobreza nas 300 páginas do relatório do Orçamento? Quatro.”» («Especialistas dizem que “tecto” para apoios já em 2015 é impossível», Natália Faria, Público, 27.10.2014, p. 12).

    Quatro? E quantas vezes aparecia há dez anos? A palavra «pobreza» só recentemente foi reabilitada, graças aos políticos, que nos empobreceram e agora no-la devolvem.

 

[Texto 5191]

Helder Guégués às 10:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «sensorização»

Aparece de vez em quando

 

     «Londres está a ter sucesso em campos como o da partilha de dados produzidos a partir de [sic] múltiplas formas de sensorização do espaço público — o chamado open data. Só na área dos transportes, foram já produzidas 450 aplicações móveis a partir destes [sic] dados. Por outro lado, esta profusão de soluções oferecidas pelo mercado levam o autarca de Santander e líder [sic] da Reci a explicar que, em Espanha, já se começa a fazer um esforço de normalização de algumas tecnologias» («Cidades espanholas e portuguesas vão partilhar soluções smart», Abel Coentrão, Público, 27.10.2014, p. 15).

 

[Texto 5190]

Helder Guégués às 10:43 | comentar | favorito
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Léxico: «exoma»

Todos incompletos

 

      «Foi por essa altura, em 2012, que a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) começou a aplicar clinicamente uma nova técnica de diagnóstico genético. Designada “sequenciação do exoma”, destina-se a identificar doenças genéticas quando os outros testes falharam mas que se suspeita que os sintomas observados são devidos a mutações muito raras num único gene. Diga-se para já que, sequenciando apenas 1% do genoma, a técnica pode detectar mutações que de outra forma passariam despercebidas» («Sequenciar 1% do ADN para diagnosticar doenças raras», Ana Gerschenfeld, Público, 27.10.2014, p. 30).

   Outra esquecida pelo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que também não regista «éxon» (que, todavia, o Vocabulário Ortográfico acolhe, indicando o plural, «éxones»)

 

[Texto 5189]

Helder Guégués às 09:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Out 14

Outro título errado

Adeus, vocativo

 

  «O nome do disco, Até sempre Sr. Fado, pode sugerir erradamente uma despedida, mas na verdade é um reencontro. Filho de Vicente da Câmara e sobrinho-neto de Maria de Teresa de Noronha, o fadista José da Câmara volta aos discos a solo com um trabalho que vive sobretudo do fado tradicional, com novas letras para velhos clássicos» («“Ser fadista é uma maneira de estar, é sobretudo viver o fado”», Nuno Pacheco, Público, 27.10.2014, p. 29).

 

[Texto 5188]

Helder Guégués às 09:12 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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