29
Out 14

«Acessório/assessório», de novo

Destes há muitos

 

   O autor, coitado, está preocupado que os jovens não saibam «destrinçar o pertinente do assessório». Já por aqui vimos esta triste confusão, muito encontradiça na imprensa. Mais uma: «“É possível uma cultura de compromisso sobre o essencial, em vez de uma cultura de querela sobre o assessório”, garante Bagão Félix, conselheiro de Estado, e também ele ex-ministro de uma coligação PSD-CDS» («Dois consultores de Cavaco defendem reestruturação», Nuno Sá Lourenço, Paulo Pena e Pedro Crisóstomo, Público, 12.03.2014, p. 2).

 

[Texto 5202]

Helder Guégués às 22:47 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Léxico: «meritoso»

Falta comprovar

 

      Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (e creio que é o único que o faz), o adjectivo meritoso, o mesmo que meritório, louvável, só se usa em Moçambique.

 

[Texto 5201] 

Helder Guégués às 21:51 | comentar | favorito
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Ortografia: «cabeça-no-ar»

Nunca vista

 

    Não tenho nem sequer uma abonação para o vocábulo cabeça-no-ar (scatterbrain, para a legião de anglófonos que nos segue) escrito assim, com hífenes. Como estão com a cabeça no ar, esquecem-se sempre dos hífenes.

 

[Texto 5200]

Helder Guégués às 18:55 | comentar | favorito
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«Ilação/elação»

Sem elação

 

      «Ademais, só a verdade sobre o que
 se passou na praia do Meco servirá a universidade. E a Justiça. Só um tribunal isento permitirá tirar elações transparentes. E só assim poderá a sociedade encerrar este caso» («O dux e os estudantes falecidos da Universidade Lusófona», Julieta Almeida Rodrigues, Público, 29.10.2014, p. 46).

 Lapso? Gralha? Hum... Gralha era se escrevesse «ulação» ou «olação», por exemplo. É mais uma confusão, como entre «eminente/iminente», «descriminação/discriminação» e outras semelhantes, só que menos desculpável do que noutros falantes porque a autora vem identificada como «investigadora convidada, The New School for Public Engagement, The New School, Nova Iorque, 2014 e 2015». Tem de se fazer jus aos títulos e ao que somos. Ilação é a acção ou efeito de inferir; inferência; elação é o mesmo que altivez, arrogância; elevação; exaltação. Tal como o leitor acabou por não comprar o livro de Lídia Jorge por causa daquele o, eu não ficaria com vontade de ler o artigo, se acaso pelo título me sentisse inclinado a fazê-lo.

 

[Texto 5199]

Helder Guégués às 12:49 | comentar | favorito
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«Manete de abertura»

Temos melhor

 

      «Sobre o caso de Teresa Romero e os contágios de profissionais de saúde em geral, o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública sublinha que “até de forma inconsciente se pode levar uma mão ao olho” — o que é suficiente para ficar infectado pelo vírus do ébola. Mário Durval recorda imagens que tem visto na televisão relacionadas com o combate à epidemia nos países da África Ocidental e que mostram acidentes ou falhas “difíceis de eliminar”. “Num caso, surgiu um profissional fardado que ainda com as luvas postas abriu a porta de uma carrinha
 e entrou e saiu várias vezes. Naturalmente que qualquer pessoa que vá a seguir pegar na manete de abertura fica em risco de ser contaminada”» («Teresa Romero nega ter tocado com as luvas na cara», Romana Borja-Santos, Público, 29.10.2014, p. 13).

      Vem do francês manette, e é quase exclusivamente usada na expressão «manete de mudanças», que, todavia, pode ser substituída por «alavanca de mudanças». Como manete é a alavanca ou comando com que se acciona um mecanismo, não se pode dizer que esteja errado, mas decerto que puxador da porta diz o mesmo e mais claramente.

 

[Texto 5198]

Helder Guégués às 10:05 | comentar | favorito
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29
Out 14

Léxico: «mentoria», «mentorado»

Primeira vez fora dos dicionários

 

      «No final da celebração dos protocolos de parceria com 39 entidades públicas e privadas que já aderiram ao PMI, o secretário de Estado sublinhou que o programa de mentoria “não é uma medida isolada” e existem outras “em curso” também destinadas a facilitar “o reconhecimento das competências e qualificações dos imigrantes”, em que Portugal “tinha um atraso”. […] Embora se dirija a todos os imigrantes, o PMI revelou, durante a fase-piloto — que envolveu 49 pares de mentores/mentorados — um “particular interesse” por parte dos mais qualificados (com licenciatura ou mais estudos), com idades entre os 26 e os 45 anos» («Programa de mentoria quer “aproveitar melhor competências” de imigrantes», Público, 29.10.2014, p. 15).

 

[Texto 5197]

Helder Guégués às 09:52 | comentar | favorito
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