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Nov 14

Quem diz «Baixa»...

... diz «Alta»

 

      «Era eu garoto, na minha cidade de Luanda acontecia um Carnaval perturbador e poderoso: dos musseques negros desciam cortejos que invadiam a Baixa branca. O meu bairro, São Paulo, era misto e ficava no trajeto desse batuque que queria dizer se calhar mais, só alegria, e menos do que as pessoas julgavam adivinhar» («Gritos e bocejos», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 1.11.2014, p. 48).

      Ao verbete do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só falta a indicação de que, nesta acepção, é geralmente com maiúscula.

 

[Texto 5213]

Helder Guégués às 21:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Pátios, esplanadas e orações

Pequenas coisas

 

   «Israel anunciou, ontem, que a Esplanada das Mesquitas, na Cidade Velha, será aberta às 00.00 de hoje, de forma a que [sic] os fiéis muçulmanos de Jerusalém possam ali fazer a Oração de Sexta-Feira. Enquanto isto, a Fatah (grupo do presidente palestiniano Mahmud Abbas) convocou para hoje um “dia de raiva” e muitos palestinianos temem que, após a oração, ocorra violência» («Esplanada das Mesquitas, motivo de uma nova intifada?», Lumena Raposo, Diário de Notícias, 31.10.2014, p. 32).

    O Público prefere falar em Pátio das Mesquitas: «O Pátio das Mesquitas em Jerusalém reabriu ontem, mas apenas alguns milhares de muçulmanos puderam assistir à mais importante das orações semanais — os homens com menos de 50 anos continuam impedidos de entrar no recinto e o enorme aparato montado pelas forças de segurança israelitas colocou toda a Cidade Velha em estado de sítio. […] A Fatah convocou para ontem um “dia de cólera”, e da Cisjordânia, a Gaza e a Jerusalém Leste os imãs exortaram os fiéis a sair em defesa do Nobre Santuário» («Pátio das Mesquitas reabriu sem violência», Público, 1.11.2014, p. 23). Para divergirem mais, um deles devia optar por Cidade Antiga. Quanto à oração, justificar-se-ão as maiúsculas, «Oração de Sexta-Feira»? Não me parece, mas vamos estar atentos.

 

[Texto 5212]

Helder Guégués às 21:21 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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01
Nov 14

Assim se escreve na academia

Mais subversivo

 

      «Na discussão pública produzida sobre este assunto, têm sido feitas alusões inaceitáveis a gestos de “censura”. A Direcção do ICS repudia categoricamente tal insinuação e reafirma a sua determinação em prosseguir o trabalho em favor do desenvolvimento das ciências sociais, fiel aos princípios de independência e liberdade académica que sempre nortearam a sua acção» (excerto do comunicado do director do Instituto de Ciências Sociais, José Luís Cardoso, sobre a retirada de circulação da última edição da revista Análise Social).

      «Gestos de “censura”»! Também faz impressão (positiva) que o texto não siga o Acordo Ortográfico de 1990. Mais subversivo, portanto, do que os próprios graffiti (e não «graffitis», Dr. José Luís Cardoso).

 

[Texto 5211]

Helder Guégués às 16:01 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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