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Linguagista

Ortografia: «ano-rectal»

Ainda não

 

      «Este Atlas tem um curioso efeito: é o ideal para os hipocondríacos. A seguir à descrição de cada região do nosso corpo enumera as doenças (de nomes também exuberantes) a que nela estamos sujeitos. Um exemplo: só em relação aos intestinos, temos em termos gerais a colite ulcerosa, a doença de Crohn e a invaginação. E depois, em relação ao intestino delgado, aparece a doença celíaca, a intolerância à lactose, a enterite, o ileíte, o íleo paralítico e, mais banais, as aderências e cólicas. Quanto ao intestino grosso, é um festival: o cancro, claro, o cólon irritável (que feitio), a polipose do cólon, a diverticulose, o volvo, a doença de Hirschprung, a prolapse [sic] rectal, a fissura anal, as banalíssimas hemorróidas ou a fístula ano-rectal» («O mistério do corpo», Eduardo Prado Coelho, Público, 20.12.2006, p. 5).

      Foi a última vez, creio, que se escreveu a palavra no Público. Ainda não está registada no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 5265]

Livros novos

Boa pergunta

 

      «Os vencedores [do Prémio Leya] nos anos de 2011, 2012 e 2013, foram autores portugueses, respectivamente, João Ricardo Pedro (n. 1973), Nuno Camarneiro (n. 1977), e Gabriela Ruivo Trindade (n. 1970). De entre as obras dos três autores nomeados, sobressai O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro, pelo talento com que o autor manipula o imaginário da ficção e pela qualidade e segurança da escrita, quase inesperadas para uma primeira obra; os outros dois romances vencedores são obras menores, de suposto potencial comercial, que, apesar da linguagem escorreita e de alguma agilidade narrativa, enfermam de tiques de “armar ao literário”. Aliás, na recensão feita a um deles nas páginas deste suplemento, o crítico António Guerreiro, com algum exagero, falou em “imitação da literatura”. Mas curiosamente — e este seria um ponto interessante a desenvolver — foi o livro de maior qualidade literária aquele que de entre todos mais vendeu: O Teu Rosto Será o Último fez nove edições, 35 mil exemplares. E encontra-se em tradução em várias línguas» («Do valor literário — ou não — do Prémio Leya», José Riço Direitinho, «Ípsilon»/Público, 14.11.2014, p. 9).

      O complemento perfeito deste artigo encontramo-lo hoje na crónica de Pacheco Pereira no Público, intitulada «Vale a pena ler livros novos?».

 

[Texto 5264]