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Linguagista

Pôr «auto-» onde não faz falta

Uma aberração redundante

 

      Nelson Rodrigues: «E essa possibilidade a impressionou como uma desgraça possível. Devia ter combinado tudo, tudo, com seu quase noivo. Porque não o fizera? Condenou-se a si mesma, chamou-se de boba.»

      Francisco Assis: «O que está em causa não é de somenos importância: a prevalecerem estas teses, o PS renegaria o essencial da sua trajetória histórica enquanto grande partido do centro-esquerda e autocondenar-se-ia a um estatuto de absoluta irrelevância
 no plano europeu» («De que PS o país precisa?», Francisco Assis, Público, 20.11.2014, p. 42).

 

[Texto 5280]

Uma moda deselegante

Soldadinhos de papel

 

      «Para referenciar as “peças pretendidas” é preciso abrir um dicionário. [Rita] Dargent, que trabalhou 19 anos nos palácios de Sintra antes de chegar aos Coches (quase metade da sua vida, já que tem 42 anos), teve de se familiarizar com todo o vocabulário, o que não parece nada fácil para quem vem de fora. Xairel, coxim, teliz, cabeçada, cepilho, bridão, gualdrapa, sota, xabraque» («O rei tinha um sota chamado Adrião», Lucinda Canelas, Público, 20.11.2014, p. 24).

      «Xabraque» ou «chabraque». Se a conservadora fosse leitora do Assim Mesmo, conhecia esses e outros termos relacionados. (E esta moda de omitir o primeiro nome das pessoas dá que pensar. Parece que todos, de autores a jornalistas, frequentaram escolas militares. «Viram a Lucinda?» «Hã?» «A Canelas.» «Ah, sim, ia agora para o picadeiro.» Na verdade, a par do apelido, está a preferência pelo número de aluno. «Viram a 205?»)

 

[Texto 5278] 

Tradução: «barrel bomb»

Pouco para divergir

 

      «Só no último mês, a força aérea de Bashar al-Assad lançou 1592 ataques e matou pelo menos 396 pessoas, deixando outras 1500 feridas, diz o Observatório Sírios [sic] dos Direitos Humanos. Aviões e helicópteros lançaram as chamadas barrel bombs (barris de aço cheios de explosivos e de munições) nas regiões de Alepo, Hama, Deraa, Iblid, Quneitra e nos subúrbios rurais de Damasco» («Enquanto os EUA bombardeiam jihadistas, Assad aproveita para aumentar ataques», Sofia Lorena, Público, 20.11.2014, p. 21).

      É bom que a jornalista tenha deixado o nome em inglês, pois nunca se sabe se não precisamos, a qualquer momento, de encomendar à Amazon. Na RTP, já resolveram – e não há margem para grandes divergências, excepto avaliar se o segundo termo é determinante específico – o caso: são «barris-bomba».

 

[Texto 5277]

Ortografia: «estrela-cadente»

À nossa conta

 

      «Da próxima vez que eu vir
 passar uma estrela cadente nos céus de Portugal, vou formular 
o seguinte desejo: um parecer jurídico suportado por reputados jurisconsultos para cada português, que lhes permita não pagar aquilo que o Estado lhes exige com tanto afinco» («REN e Galp: juntas na vergonha», João Miguel Tavares, Público, 20.11.2014, p. 44).

    Sim, e da próxima vez que isso acontecer, ponha-lhe um hífen. À nossa conta.

 

[Texto 5276]

«Colocar uma pergunta», de novo

Agora já não

 

    «Tu tens uma dupla personalidade
 difícil de conceber para alguém com a tua relevância. Funcionas, basicamente, deste modo. Se um cidadão te consultar, em busca de uma lei que o apoquenta, colocas-lhe sempre a mesma pergunta: tens dinheiro?» («Meu querido Diário da República Electrónico», José Manuel Meirim, Público, 20.11.2014, p. 43).

    Claro que hoje em dia já não me espanto que um catedrático se exprima assim. Essa fase já passou. Vou apenas anotando.

 

[Texto 5275]