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Linguagista

Sobre «crioulo»

Nem para nós

 

      «Por outro lado, Sandra Ataíde Lobo lembra que os brâmanes “são muito educados”: “A educação é para eles um programa de classe. Estudam e através do estudo combatem a discriminação e procuram ter oportunidades. Eram cidadãos do império, tinham direitos e para os usufruir tinham de estudar.” É isso que possibilita a situação excepcional de Goa e das elites goesas em relação aos restantes territórios do império, conclui a historiadora, acentuando o facto de que mesmo em Cabo Verde, onde se salientaram elites criolas, elas não adquirem nunca o estatuto dos goeses» («António Costa, um político para além da cor da pele», São José Almeida, Público, 24.11.2014, p. 12).

      Por vezes, até «criôlo» se vê; contudo, atestadas nos dicionários, só duas grafias: crioulo e crioilo. E agora vejam isto: os dicionários de castelhano dão como étimo da palavra criollo o português «crioulo»; alguns dicionários da língua portuguesa, por sua vez, afirmam que o étimo do nosso «crioulo» é o castelhano criollo. Nem para nós somos bons.

 

[Texto 5289]

Mudar de nome

É barato

 

      «Mais de 500 pessoas mudaram de nome nos primeiros nove meses deste ano, muitas delas para acrescentar apelidos, um processo que envolve tanto adultos como crianças e que custa 200 euros. […] O processo de mudança de nome foi simplificado na década passada, mas é dos emolumentos mais caros, fazendo-se mediante requerimento à Conservatória dos Registos Centrais.

      Os motivos apresentados são diversos, mas destaca-se a vontade de adicionar apelidos de família ao registo de nascimento. “Muitas vezes, em casa, os avós e outra família confrontam [os pais do bebé] com a falta de apelidos”, explicou a conservadora adjunta da Conservatória dos Registos Centrais, Sandra Monteiro. Outro dos motivos, adiantou, é a harmonização de nomes de luso-descendentes. Até 1982, a lei não permitia que filhos de emigrantes usassem em Portugal nomes próprios estrangeiros. Silvie, por exemplo, tinha obrigatoriamente de passar a Sílvia. Hoje, a Silvie que passou a Sílvia pode pedir para passar a Silvie de novo. Os pedidos de mudança do nome próprio só por uma questão de gosto são residuais. Mais comuns são os casos de pessoas que querem suprimir um apelido paterno ou materno, ou ainda adultos que querem acabar com um primeiro nome que nunca usaram e que só têm porque foi a escolha dos padrinhos. “Havia um peso muito grande dos padrinhos na escolha do primeiro nome. Nesses casos muitas pessoas acabaram sendo tratadas pelo segundo nome, com o qual se identificam”, diz Sandra Monteiro» («Mais de 500 portugueses mudaram de nome», Público, 24.11.2014, p. 13).

 

[Texto 5288]

Léxico: «chardó»

Nem metade

 

      «Essa elite específica que se formou em Goa “era composta pelos luso-descendentes que eram poucos, eram chamados ‘reinóis’ e tinham antepassados no reino, mas nessa elite tinham um peso central as elites nativas: os brâmanes e os chardós” – os primeiros são a casta dos sacerdotes, que transportam a palavra sagrada, os segundos os guerreiros, sendo ambas as castas terratenentes» («António Costa, um político para além da cor da pele», São José Almeida, Público, 24.11.2014, p. 11).

  No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, não encontramos «chardó» e «reinol» está, mas não nesta acepção.

 

[Texto 5287]