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Linguagista

Controle-se, homem!

Uma miséria

 

      O original diz être aux commandes. O tradutor não tem dúvidas: verte por «controlar». O original diz maîtriser. O tradutor não tem dúvidas: verte por «controlar». O original diz surveiller. O tradutor não tem dúvidas: verte por «controlar». O original diz diriger. O tradutor não tem dúvidas: verte por «controlar». O original diz... Ah, já chega, isto é enfadonho e uma miséria.

 

[Texto 5298] 

Tradução: «bans»

Temos é de saber alguma coisa

 

      «Temps nécessaire à la publication des bans.» O tradutor achou que era do «despacho». Já se sabe: paradoxalmente, quanto mais próxima da nossa é a língua de partida, mais erros na tradução. Nem despacho nem meio despacho. Nós — leia bem — também temos a mesma expressão. Banho, proclama, denunciação ou pregão, que é o nome que se dá a cada um dos anúncios de casamento lidos na igreja. Como são vários, habitualmente só se usam no plural. Por isso, não está correcto que no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora apenas o plural «banhos» esteja dicionarizado numa entrada à parte.

 

[Texto 5297]

Sobre «grogue»

Ingredientes ou receita

 

      Não é uma receita, bem sei, mas na definição de grogue que está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não se devia falar em água quente, e não apenas, como faz, em água? Grogue, lê-se ali, é a «bebida alcoólica preparada com aguardente, água, açúcar e casca de limão, ou com uma mistura análoga».

 

[Texto 5296]

Como se traduz

Correntemente

 

   «L’incompréhension face à la punition monstrueuse», lia-se no original. Demasiado fácil para um tradutor superficial: «A incompreensão frente ao monstruoso castigo.» Não passava, evidentemente, o exame Vieira. Que português se exprimiria desta maneira? Só um português degenerado. Quis (quis mesmo?) evitar o «face a», mas a opção é igualmente canhestra e própria de quem não quer puxar pelo bestunto.

 

[Texto 5295]

Sobre «cachola»

Ou estarei enganado?

 

      «O presunto é trinchado. O pão
 é cortado a canivete de bolso. Joaquim Galado, tractorista, oferece rábano e cachola frita.
 O que é cachola? “Fígado de borrego. Não é tão enjoativo como porco.”» («O cante alentejano foi de autocarro até Paris», Kathleen Gomes, Público, 26.11.2014, p. 7).

      Para mim — e alguns dicionários dão-me razão —, cachola sempre foi apenas o fígado de porco cozinhado, não o de qualquer outro animal.

 

[Texto 5294]