Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Ortografia: «pseudopalavra»

E por isso escreve-a mal

 

      «O teste consistia na apresentação sucessiva de pares de imagens pertencentes a seis categorias de objectos diferentes: sequências de letras (“pseudo-palavras”), sequências de caracteres que parecem escritos num alfabeto diferente (designadas por “falsas fontes”), rostos, casas, ferramentas e padrões axadrezados. Cada par de imagens continha duas imagens idênticas, duas imagens “em espelho” ou duas imagens diferentes de objectos da mesma categoria» («Aprender a ler reorganiza o nosso cérebro e melhora o desempenho visual», Ana Gerschenfeld, Público, 27.11.2014, p. 36).

 

[Texto 5303]

Ortografia: «hipersensibilidade»

No latim, não falha

 

      «Existe uma admirável coincidência entre os fazedores de opinião que estão a demonstrar uma hiper-sensibilidade às falhas do segredo de justiça e uma notável abnegação na defesa da presunção de inocência, e aqueles fazedores de opinião que durante anos e anos defenderam José Sócrates contra os ataques ad hominem e o julgaram vítima de infames conspirações» («A presumível inocência de Sócrates», João Miguel Tavares, Público, 27.11.2014, p. 58).

      «Hipersensibilidade», isso sim. É pena, pois a parte do latim está certíssima. Não estou a brincar: é que mesmo o latim vai sendo estropiado pela imprensa.

 

[Texto 5302]

A moral/o moral

E fez bem

 

      «Sobre o encontro propriamente dito, Soares usou a palavra “emoção” para o descrever: “Ficou emocionado por eu estar [a visitá-lo] e eu fiquei emocionado por vê-lo.” O ex-Presidente disse que falaram “sobre tudo”, comentando que está “muito bem” e com “um moral fantástico”» («“As imputações que me são dirigidas são absurdas e injustas”», Paulo Pena, Público, 27.11.2014, p. 3).

    Aqui, sem figuras de estilo, já andou bem: todos ouvimos Mário Soares dizer que José Sócrates estava com «uma moral fantástica». Muito bem: o jornalista fez o que tinha de fazer — corrigiu. Em relação aos disparates não há direitos de autor.

 

[Texto 5301]

Ortografia: «com certeza»

E ainda lhes pagamos

 

      «“É verdade que em certas circunstâncias se consegue visitar o recluso no próprio dia em que se pede autorização para tal. Mas com um recluso normal as coisas não aconteceriam com tanta celeridade. Não teria este tipo de facilidades”, observa, numa referência ao facto de o ex-governante ter recebido três visitas e se preparar concerteza para receber muitas mais “visitas de cortesia”» («Um detido especial», Ana Henriques e Pedro Sales Dias, Público, 27.11.2014, p. 3).

    Não é uma vergonha que dois jornalistas caiam nestes erros de semianalfabeto? É pois. 

 

[Texto 5300]

Figuras — de estilo e outras

Uma obsessão parva

 

      «O texto tem, então, uma passagem quase sarcástica, aquela em que o homem que dirigiu o Governo durante sete anos, cinco dos quais com maioria absoluta, descobre “uma lição de vida” sobre o poder. O “verdadeiro poder - de prender e de libertar”. Neste texto, e nas circunstâncias que o produziram, é fácil encontrar figuras de estilo pouco habituais nos discursos políticos. O que dizer da frase, naturalmente dirigida aos que o prenderam, mas que parece ter uma ressonância quase pessoal, se lida por muitos dos que o acusavam de ser autoritário? “Não raro, a prepotência atraiçoa o prepotente» («“As imputações que me são dirigidas são absurdas e injustas”», Paulo Pena, Público, 27.11.2014, p. 2).

      Até parece que tropeçamos com uma a cada meia frase. Pois saiba Paulo Pena que o texto só contém uma figura de estilo. Uma.

 

[Texto 5299]