Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Léxico: «abolecer»

Há quem se lembre dela

 

      «Ora, todos esses discursos da morte que se comprazem numa estética do fim tiveram sempre que se confrontar com eloquentes desmentidos. Recordemos que o jovem Rimbaud disse que “depois de Racine, o jogo começou a abolecer”; e que uma figura ilustre da vida literária francesa proclamou em 1834 com grande aprumo: “A grande literatura morreu: eis um facto que não precisa de ser provado”» («Virar as costas ao presente», António Guerreiro, «Ípsilon»/Público, 28.11.2014, p. 36).

   «Après Racine, le jeu moisit», escreveu Rimbaud (em Lettres du Voyant). Cá está mais uma palavra que desapareceu dos nossos bons dicionários: abolecer. Isto é imparável.

 

[Texto 5307]

«Mimar», de novo

Não é nosso

 

   «Era já nonagenária quando publicou, em 2011, uma
 divertida continuação de
 Orgulho e Preconceito, mimando convincentemente o estilo de Jane Austen e assombrando o idílio conjugal de Elizabeth Bennet e Mr. Darcy com um crime violento em Death Comes to Pemberley, publicado pela Porto Editora com o título Morte em Pemberley» («Uma romancista que investiu o seu talento literário na ficção policial», Luís Miguel Queirós, Público, 28.11.2014, p. 38).

      «Mimar o estilo»? Já vimos aqui algumas vezes este verbo com outros sentidos, tão alienígenas como este. Ah, e bem nos lembramos por aqui deste Morte em Pemberley.

 

[Texto 5306]

Léxico: «bigle»

Lembre-se do bife

 

      «Tiago Horta, 20 anos, aluno de Gestão na Universidade de Évora, é um dos donos do beagle, ao qual já não faltava animação na casa que acolhe quatro estudantes e onde o número está praticamente sempre duplicado pelos amigos» («A “melhor prenda de Natal” para o Alex foi a chegada do “recluso 44”», Romana Borja-Santos, Público, 28.11.2014, p. 4).

      Não, Romana Borja-Santos, não é beagle, mas bigle. Escreve, acaso, beef em vez de «bife»?

 

[Texto 5305]

Um país minúsculo

Que belo exemplo!

 

      «O muro branco que aparenta ter sido pintado há não muito tempo é apenas interrompido por um conjunto de letras
 — todas minúsculas — que esclarece que ali atrás está
o “estabelecimento prisional de évora”. Os dois portões cinza-claro, um para veículos e outro para peões, vedam por completo qualquer olho que se queira deitar ao interior, a não ser quando alguém entra no espaço, que, desde a madrugada de terça-feira, acolhe também José Sócrates» («A “melhor prenda de Natal” para o Alex foi a chegada do “recluso 44”», Romana Borja-Santos, Público, 28.11.2014, p. 4).

      Agora é moda. Se perguntarem a esta cambada de ignorantes porque o fazem, ainda falam no Acordo Ortográfico. E que belo exemplo a entrar-nos agora em casa todos os dias pela televisão.

 

[Texto 5304]