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Linguagista

É como São Tomé

Da pressa? Ná

 

      Um leitor do Linguagista foi ontem ver o filme Boyhood. Durante quase três horas, ali esteve sossegadinho. Conta ele: «Lá para o meio, há uma cena que se passa durante o culto de uma comunidade protestante, com o pregador a fazer um sermão sobre aquele apóstolo que quis tocar nas feridas de Cristo para confirmar que Ele tinha mesmo ressuscitado. Ora, o que ele dizia era, naturalmente, Thomas e as legendas diziam... Tomás.» Lembro-me de já uma vez ter falado de um caso em tudo igual, mas não devemos perder uma só oportunidade de aprender e de ensinar. Então o nosso caro tradutor nunca ouviu falar em São Tomé e no seu famigerado princípio, ver para crer? Por onde tem então andado desde que nasceu?


[Texto 5313]

Nomes de doenças

Um mal comum

 

      «[Barbara] Sahakian usa o metilfenidato e a atomoxeina, uma droga recente que provou actuar de forma mais selectiva, em crianças e adultos com Transtorno do Défice de Atenção e Hiperactividade (TDAH), mas também em esquizofrénicos ou pessoas que sofrem de narcolepsia» («Smart drugs, cyborgs e outras visões do futuro», Luís Miguel Queirós, Público, 30.11.2014, p. 33).

      Nomes de doenças com maiúscula inicial? Está mal informado. Só se contiver um nome próprio. Por exemplo, Alzheimer, Parkinson, mal de Pott, mal de Klosousk, etc.

 

[Texto 5312]

Ortografia: «neuropotenciação»

Se mete elemento, é para esquecer

 

      «A cientista começou por deixar claro que a neuro-potenciação não se resume às chamadas smart drugs, como o metilfenidato, comercializado como Ritalina, mas que também substâncias que muitos usam diariamente, como a cafeína ou a nicotina, estimulam o cérebro. E acrescentou-lhes a educação e o exercício físico. Uma e outro, explicou, geram novas células cerebrais. […] Se as alucinações e outras manifestações mais graves da esquizofrenia são razoavelmente controladas através de anti-psicóticos, diz Sahakian,”o problema é que estes doentes ficam com desordens cognitivas e não conseguem regressar à universidade ou ao trabalho”» («Smart drugs, cyborgs e outras visões do futuro», Luís Miguel Queirós, Público, 30.11.2014, p. 33).

     Quando a palavra estiver no dicionário, saiba Luís Miguel Queirós que a grafia será «neuropotenciação». Agora pense lá porquê. (E claro que também é «antipsicótico». E cyborg está aportuguesado em «ciborgue».)

 

[Texto 5311]

Já não sabem o que é um adjectivo

Qual é a dúvida?

 

      Um leitor (para sorte dele, não identificado) do Público, indignado por o jornal ter trazido para a primeira página de uma edição da semana passada um título em que se identificava o advogado de José Sócrates como goês, pergunta ao provedor: «Não percebo esta notícia, nem a sua importância para os leitores. Vejamos:
 1. ‘Advogado de defesa GOÊS’? Goês é um adjectivo?» Também eu fiquei perplexo com a escolha — fascínio pelo exótico ou racismo leve, próprio dos nossos alegados brandos costumes? —, mas nunca cairia na tontice desta pergunta. Claro que «goês» é adjectivo. Essa 4.ª classe...

 

[Texto 5310]