10
Dez 14

Acaso e caos

À Faroeste

 

      «Acaso e caos escrevem-se com as mesma [sic] letras, não acredita em meras coincidências ortográficas» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Alfragide: Teorema, 2013, p. 56).

   Por acaso, sim, mas não com o mesmo número de letras. E também abundam as gralhas e as opções menos adequadas — além de entradas de parágrafo de todas as maneiras e feitios. Boa parte do êxito actual dos romances deve-se a este aspecto crucial da desorganização tipográfica.

 

[Texto 5351]

Helder Guégués às 23:56 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «alto-mar»

Com hífen, se faz favor

 

      «O de atracarem as ventosas aos peixes de alto mar, de cruzarem oceanos a vampirizar alguma garoupa imprevidente» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Alfragide: Teorema, 2013, p. 55).

 

[Texto 5350]

Helder Guégués às 23:50 | comentar | favorito
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Ortografia: «fotorreceptor»

Gramática mínima

 

      «Entre vendilhões e a freguesia ofegante, entre marionetas, ímanes de frigorífico, postais de Mucha, cristais da Boémia, turistas e carteiristas, ela não via apenas opticamente, que os olhos só têm células foto-receptoras» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Alfragide: Teorema, 2013, pp. 52-53).

 

[Texto 5349]

Helder Guégués às 23:45 | comentar | favorito
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Léxico: «fúsil/fuzil»

Ai a confusão...

 

      «Regressa o torpor àquela carruagem de viajantes forçados, já os pides se acomodam no fundo do vagão e se recostam, com o chapéu sobre a cara à faroeste. Sossega o guarda que afrouxa os dedos no fusil, de coronha manchada e com restos de cabelo de Joaquim agarrados» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Alfragide: Teorema, 2013, p. 36).

   Essa é boa. O Vocabulário Ortográfico da Porto Editora também regista «fusil» — mas creio que ninguém sabe do que se trata. Nem os dicionaristas. O que há é fuzil, o mesmo que espingarda, que é o que devia estar ali no excerto da obra de Ana Margarida de Carvalho, e fúsil, que se pode fundir. E não percebo porque não é à Faroeste.

 

[Texto 5348]

Helder Guégués às 23:31 | comentar | favorito
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Léxico: «pré-historiador»

De mal a pior

 

  Eu não quero acreditar que o tradutor verteu préhistoriens por «embriologistas» apenas porque pré-historiador não está na maioria dos dicionários. Deve haver qualquer motivo neurológico. Mas lá ganham a vida.

 

[Texto 5347]

Helder Guégués às 23:03 | comentar | favorito

Como se traduz

E como se escreve e se pensa

 

      Não interessa agora o quê, chama-se assim «du nom de ce physicien», etc. Para o tradutor, é «a partir do nome do físico». Habituam-se a esta espécie de português, e se apanham melhor — o que vai sendo raríssimo —, já estranham.

 

[Texto 5346]

Helder Guégués às 20:54 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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10
Dez 14

«Fadiga/fatiga»

Mas não é apenas isso

 

   Fadiga e fatiga são, sem qualquer dúvida, sinónimos, variantes, mas nem todos os dicionários o atestam. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, «fatiga» é apenas a «merenda dos trabalhadores rurais» e um regionalismo para «fatia». Está errado, por incompleto.

 

[Texto 5345]

Helder Guégués às 10:08 | comentar | favorito
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