11
Dez 14

«Enhanced Interrogation Techniques»

Em tradução libérrima, não?

 

      «O muito esperado Estudo do Programa de Detenção e Interrogatório da CIA, lançado pela agência norte-americana depois do 11 de Setembro e mantido até 2008, mostra que o recurso às chamadas “técnicas de interrogatório agressivas(Enhanced Interrogation Techniques) foi mais intenso do que já se sabia e que vários responsáveis mentiram repetidamente sobre o número de suspeitos alvo de técnicas que, na sua maioria, são consideradas tortura pela lei internacional e dos Estados Unidos» («A CIA cometeu “crimes de guerra” mas dificilmente alguém será julgado», Sofia Lorena, Público, 11.12.2014, p. 24).

 

[Texto 5361]

Helder Guégués às 22:36 | comentar | favorito
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Léxico: «corregedor»

Estará certa?

 

      «Curiosamente, no entanto, seria já por efeito da sua vida profissional que, ao transferir-se para Almada como juiz corregedor, acabaria por se aproximar do fado de Lisboa, frequentando as casas de fados da capital e acabando mesmo por aceitar o desafio da fadista Maria da Fé e do letrista José Luís Gordo para se juntar ao elenco do Sr. Vinho» («Despediu-se Machado Soares, a voz que cantou o adeus a Coimbra», Gonçalo Frota, Público, 11.12.2014, p. 27).

    No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o verbete apresenta duas acepções, e só pode ser a primeira («juiz presidente de um círculo judicial»), mas a questão é saber se está correcta.

 

[Texto 5360]

Helder Guégués às 21:14 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Ortografia: «aselhice»

Aselhice, precisamente

 

      «Mas, em simultâneo, o mesmo senhor presidente que durante anos e anos não viu as crateras que se iam abrindo no Grupo Espírito Santo, numa assumida manifestação de olímpica azelhice, já se considerava superiormente dotado para salvar o BES em Agosto, tivessem o Banco de Portugal e o Governo tido a amabilidade de lhe conferir essa hipótese» («Ricardo e o leopardo», João Miguel Tavares, Público, 11.12.2014, p. 48).

 

[Texto 5359]

Helder Guégués às 20:23 | comentar | favorito
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Como se escreve por aí

Isto está a piorar

 

      Não sei quê e tal, «a que há que somar», escreve aqui um jornalista. Surdo, de certeza. Ali, um tradutor verte «la Providence des Pères de l’Église» por «a Providência dos Patrística». Os pontos de exclamação ficam por vossa conta, leitores. Montexto não o diz assim, mas eu parafraseio: «Quanto mais tecnologia e informação, mais merda vem desaguar nos livros e nos jornais.»

 

[Texto 5358]

Helder Guégués às 16:52 | comentar | favorito
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Tradução: «nizam»

Dicionários e tradutores

 

      No original está «nizams». Que faz o tradutor? Verte por «nizam». Já seria desmazelo deixar «nizams», quanto mais como o fez. O revisor que se amanhe, não é? E os dicionários também não ajudam. Em toda a Infopédia, só no Dicionário de Inglês-Português se encontra o vocábulo, e a «tradução»: «nizam, título do marajá de Haiderabad». No entanto, Rebelo Gonçalves, no seu Vocabulário da Língua Portuguesa, regista: «Nizão, s. m.: título dos soberanos de Hiderabade (donde dizer-se estados do Nizão = reino de Hiderabade).»

 

[Texto 5357]

Helder Guégués às 10:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito

«Ao abrigo de», mais uma vez

Esta entranhou-se

 

   «Depois da crise alimentar de 2007-08 e ao abrigo do Plano de Transformação e Crescimento, o Governo etíope, etc.» Leio num Boletim da Sociedade de Língua Portuguesa de 1965: «Evite-se a locução ao abrigo de (adaptação servil do fr. à l’abri de) e, em seu lugar, empregue-se graças a, por meio de.» Não tenho a certeza que se possa sempre substituir por uma dessas maneiras. E os dicionários também não ajudam. Vejam o que se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «ao abrigo de sob a protecção de». Em sentido próprio ou em sentido figurado, significa «a salvo de», «protegido de». Talvez a solução se encontre, paradoxalmente, na própria língua francesa... que não usa a expressão no sentido que é mais comum entre nós, dizendo-se antes selon la loi, selon les dispositions de la loi. Agora sim, é só traduzir à letra ou adaptar.

 

[Texto 5356]

Helder Guégués às 09:59 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «rabiteso»

E por aí fora

 

      «O raio da mulher, que até parece que ficou toda rabiteza quando lhe anunciou a ausência» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Alfragide: Teorema, 2013, p. 71).

      É palavra que me traz logo parte da minha infância. Bem, mas quanto ao que interessa: está mal escrita. É «rabitesa». O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora garante que é «de origem obscura». Ora, ora...

 

[Texto 5355]

Helder Guégués às 00:33 | comentar | favorito
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«Pés de galo»?

Passo

 

      «Por isso a inquietava tanto aquele velho e se esforçava por sondar na geografia dos seus vincos faciais alguma pista para o entender, algum acesso por onde entrar e seguir o curso dos labirintos que lhe traçavam a face até bifurcarem em tantos pés de galo no canto dos olhos» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Alfragide: Teorema, 2013, p. 63).

      Pode ser um jogo, uma brincadeira (a que, pessoalmente, não acho piada nenhuma): as mulheres teriam pés-de-galinha, os homens, pés-de-galo. Mas ainda nesse caso, os hífenes não deviam faltar.

 

[Texto 5354] 

Helder Guégués às 00:24 | comentar | favorito
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Ortografia: «soundbite»

Nem por ser inglês

 

      «Um sound-byte que ela captou, ali pelo meio, no lacónico discurso do senhor Joaquim» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Alfragide: Teorema, 2013, p. 63).

      Assim, o senhor Joaquim não morde — mas escreve-se sound bite ou soundbite, já o vimos mais de uma vez.

 

[Texto 5353]

Helder Guégués às 00:15 | comentar | favorito
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11
Dez 14

Ortografia: «tágide»

Muito bonito

 

      «O Tejo tem qualquer coisa de purificador,

             lava a cidade de mágoas, leva as mágoas para o mar,

é cantado por fadistas, habitado por Tágides, musas autóctones, uma espécie residente, atravessado por cacilheiros e, de vez em quando, entra-lhe um golfinho ao engano; quando se apercebe do equívoco, volta logo atrás» (Que Importa a Fúria do Mar, Ana Margarida de Carvalho. Alfragide: Teorema, 2013, p. 57).

      Não estou distraído: as frases estão assim esquartejadas, e quis ser fiel. Não por acaso, tágide é nome comum, é cada uma das ninfas do Tejo, na linguagem poética.

 

[Texto 5352]

Helder Guégués às 00:03 | comentar | favorito
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