03
Jan 15

De novo as jalecas

O que eles dizem

 

      «Todos os dias, os alunos da Le Cordon Bleu de Madrid lavam uma das duas fardas que recebem à chegada. As jalecas, como lhes chamam, têm de estar impecavelmente brancas» («Na Le Cordon Bleu ninguém parte ovos», Susana Lúcio, Sábado, 16-22.10.2014, p. 90).

      «Como lhes chamam». Afirma-o como quem nota uma excentricidade ou aberração. É o nome que têm.

 

[Texto 5417]

Helder Guégués às 22:25 | comentar | favorito
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Plural de «triclinium»

Vale pela intenção

 

      «Quando faziam os seus festins que, invariavelmente e depois de umas quantas passagens pelo vomitorium, acabavam em bacanal, os romanos ricos não se sentavam em cadeiras dispostas à volta de uma mesa, deitavam-se nos triclinium (o equivalente actual a uma chaise longue), na divisão da casa com o mesmo nome, e iam despachando os pratos do banquete enquanto esperavam que as cativas lhes dessem uvas à boca, à laia de tira-gosto» («Passámos uma semana em pé», Tânia Pereirinha, Sábado, 16-22.10.2014, p. 82).

      Não, não: deitavam-se nos triclínios ou nos triclinia, e, graças aos tricliniarcas e aos tricliniários, era uma festa. E quanto às uvas, e apesar de ser apenas «à laia de», não me parece, pois que tira-gosto é o alimento com que se acompanha uma bebida fora das refeições.

[Texto 5416] 

Helder Guégués às 22:08 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «babuche»

Pois acham mal

 

      «O meu director [Francisco Mata] achava que a idade média mental do telespectador era de 10 anos. Como conhecia o meu filho e achava-o um miúdo esperto, desafiou-o para escrever sobre televisão. Assinava Babuch [menino em concani, dialecto goês]» («“Só tenho o retrato de um político na sala, Jonas Savimbi”», Dulce Garcia, Sábado, 16-22.10.2014, p. 56).

      Aqui, vimos outro jornalista, Paulo Pena, do Público, a escrever de outra maneira: babush. Prefiro seguir a lição de Sebastião Dalgado, no seu Glossário Luso-Asiático: babuche.

 

[Texto 5415]

Helder Guégués às 21:44 | comentar | favorito

Ortografia: «rabo-de-cavalo»

Nada mudou

 

      «Vindo da criança que me aconselhou esta semana a banir o rabo de cavalo da minha curta lista de penteados (“esse totó ridículo” foram os termos a que recorreu — e que lhe valeram cinco minutos de descompostura) não me espantou sobremaneira» («Passámos uma semana em pé», Tânia Pereirinha, Sábado, 16-22.10.2014, p. 84).

      A verdade, porém, é que, de cavalo ou de cão, ainda levam hífenes: rabo-de-cão, rabo-de-cavalo.

 

[Texto 5414] 

Helder Guégués às 21:28 | comentar | favorito
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Ortografia: «minicheck-up»

É mesmo grave

 

    «O meu mini-check-up confirmou: triglicéridos a 272, colesterol a 210» («Passámos uma semana em pé», Tânia Pereirinha, Sábado, 16-22.10.2014, p. 85).

   Farto-me de rir com estes mostrengos. Se eu tivesse de usar semelhante palavra, grafá-la-ia minicheck-up.

 

[Texto 5413]

Helder Guégués às 21:16 | comentar | favorito
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Tradução: «standing desk»

Quê?!

 

      «Em Lisboa, onde nem standing desks há à venda (depois de eliminar a hipótese Ikea, perguntei a uma arquitecta, agora a trabalhar na área de desenho e produção de mobiliário, onde poderia encontrar uma e a resposta foi “standing quê?!”), as pessoas acharam só que a ideia era... parva» («Passámos uma semana em pé», Tânia Pereirinha, Sábado, 16-22.10.2014, p. 84).

      Razão tinha a arquitecta. Desde quando é que se pode ir por aí — Lisboa, Fundão, mesmo Paços de Ferreira — a perguntar por tal coisa? Em Portugal, português: mesa ajustável.

 

[Texto 5412]

Helder Guégués às 21:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Numerais trocados

Esta agora

 

      «E ninguém me tira da cabeça que aquele tipo que me caiu em cima (literalmente, não é um disfemismo para engate) na rua cor-de-rosa, mesmo em frente em Sol e Pesca, na noite 3 da experiência, o fez porque estava há demasiado tempo na vertical» («Passámos uma semana em pé», Tânia Pereirinha, Sábado, 16-22.10.2014, p. 85).

      Nem de propósito: na TVI24, esta tarde, um jornalista dizia que hoje era o «dia 6» da queda do avião da AirAsia. Em ambos os casos, habitual é usar-se o ordinal, não o cardinal.

 

[Texto 5411]

Helder Guégués às 20:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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03
Jan 15

Tradução: «socialite»

Falta de vocabulário

 

      «Chapéu e roupa preta, máscara, luvas cortadas e sapatos de bico. Foi assim que a especialista em etiqueta e socialite Paula Bobone se passeou pela zona VIP, no último ModaLisboa» («Zorro Bobone na ModaLisboa», S. C., Sábado, 16-22.10.2014, p. 22).

      Esta também entrou no goto dos jornalistas, ou não fosse ela inglesa. Ora «colunável», o termo português correspondente, é melhor. Quanto às luvas cortadas, bem... o termo próprio é punhete ou mitene (aportuguesado do francês mitaine).

 

[Texto 5410]

Helder Guégués às 20:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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