08
Jan 15

Léxico: «cromatógrafo»

Fica explicado

 

    «Temos [Ydentik], também em Braga, um laboratório de investigação. Trabalhamos com um cromatógrafo, que é uma máquina que analisa os componentes e as quantidades de perfume» (Daniel Vilaça, da Ydentik, entrevistado por Tânia Pereirinha, in «Sai um copo de perfume para a mesa 2», Sábado, 30.12.2014, p. 63).

    Está no laboratório, mas não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

 

[Texto 5435]

Helder Guégués às 23:41 | comentar | favorito
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A preços de hoje

Vamos a contas

 

      «O custo estimado da obra rondaria as 6.500 libras (cerca de 421 mil euros considerando a inflação e convertendo o valor para preços correntes de 2014). […] O contrato de arrendamento teve início a 1 de Julho, mediante o pagamento de 75,70 francos por trimestre (cerca de 14 mil euros a preços de hoje)» («Damas da alta sociedade na I Guerra», Rita Garcia, Sábado, 30.12.2014, p. 68).

   Já tenho sugerido a autores este trabalho de ponderação, ou as comparações são ridículas, falsas e inúteis. Mesmo quando os autores são economistas, geralmente não aceitam a sugestão. Fica-me sempre a desconfiança de que não sabem fazer as contas, e quanto a isso também nada posso fazer, pois também não as sei fazer (e cada macaco no seu galho), mas suponho que há-de haver uma tabela. Algum leitor tem conhecimentos sobre estas questões?

 

[Texto 5434]

Helder Guégués às 23:31 | comentar | favorito
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Uma SCIgen para literatura

Já experimentei

 

    Acabei de escrever um artigo científico. Foi fácil. «Escrever o artigo foi o menor dos trabalhos. [Alex] Smolyanitsky só teve de recorrer ao programa SCIgen, que gera conteúdos e diagramas disparatados, de forma aleatória» («Simpsons assinam artigo científico», Raquel Lito, Sábado, 30.12.2014, p. 73). Suponho que também há programas semelhantes para fabricar uma espécie de literatura. Não há?

 

[Texto 5433]

Helder Guégués às 23:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «teixobactina»

O superantibiótico

 

      «Para descobrir o novo potencial antibiótico, baptizado teixobactina (em grego, “teixos” significa “parede”), os cientistas procuraram, no solo, bactérias que lá vivem mas que, por serem muito difíceis de cultivar no laboratório, nunca tinham sido isoladas até aqui» («Descoberto novo antibiótico capaz de matar bactérias multirresistentes», Ana Gerschenfeld, Público, 8.01.2015, p. 29).

 

[Texto 5432]

Helder Guégués às 22:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «desinflação»

Raríssima

 

      «Do outro lado da barricada, o grande argumento que é utilizado para defender que a inflação negativa pode ser um fenómeno temporário é o facto de grande parte da queda registada em Dezembro se dever à descida dos preços do petróleo, que é vista como um tipo de desinflação benigna que até irá ajudar as economias da zona euro a reanimarem-se» («Os preços estão a cair na zona euro: será deflação ou simples desinflação?», Sérgio Aníbal, Público, 8.01.2015, p. 18).

   É muito raro (como o próprio fenómeno?) ouvir falar em desinflação. Pelo contrário, é comum ouvir falar em inflação, deflação e mesmo estagflação.

 

[Texto 5431]

Helder Guégués às 15:20 | comentar | favorito
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Sobre «raiz»

Sentido figurado

 

      «Apesar de muitos indícios apontarem para um atentado de inspiração islamista, tanto os responsáveis políticos como as forças de segurança se coibiram de atribuir qualquer raiz ao ataque, que não foi reivindicado. Hollande falou simplesmente num “acto terrorista” e, num discurso ao final do dia, apelou à “melhor arma” que os franceses têm ao seu dispor, a “unidade”. Segundo vários jornais franceses, a polícia conseguiu identificar os três suspeitos, mas não revelou qualquer pormenor para não comprometer a investigação» («Em cinco minutos, mataram o Charlie e chocaram o mundo», João Ruela Ribeiro, Público, 8.01.2015, p. 4).

    Está bem que «raiz» também é, em sentido figurado, origem, princípio, fundamento, mas não me parece que seja a palavra adequada no contexto.

 

[Texto 5430]

Helder Guégués às 15:16 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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«Escortinar», de novo

Prosa espinhense

 

      Que tal se fala e escreve por esse país fora? Estamos em Espinho. Em cima da mesa do cafezinho, a edição de 1 de Janeiro da Defesa de Espinho. Na página 5, isto: «Ricardo Sousa lembrou que “a Câmara Municipal de Espinho está a ser escortinada como mais nenhum Executivo o foi até hoje”.» Não é variante — é avaria, como já vimos aqui. Um dia destes, enganam-se um pouco mais e sai-lhes «escrotinado», e os leitores vão pensar logo em metáforas sexuais. Ora bolas!

 

[Texto 5429]

Helder Guégués às 11:28 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «esperantista»

Mal pensado

 

      E a propósito de Moby Dick, de que falei ali atrás: a tradutora daquela edição foi Alsácia Fontes Machado, escritora e esperantista. Para alguns dicionários, esperantista é o «partidário» do esperanto; para outros, entre os quais o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é a «pessoa que se dedica à aprendizagem do esperanto». Ou seja, algo entre o fanático e o discípulo, nunca a pessoa que, sempre que pode e quer, se exprime em esperanto; o falante ou o especialista.

 

[Texto 5428]

Helder Guégués às 11:13 | comentar | favorito
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08
Jan 15

Léxico: «cabelum»

Pela primeira vez

 

      Eu nunca antes a tinha ouvido ou lido, nem a vejo registada em lado nenhum, mas foi o que aquela avó disse: que a neta tinha lavado o cabelo no sábado, e por isso ontem tinha de o lavar outra vez, porque já cheirava a cabelum. Se a inventou, no que não acredito, está bem inventada, pois é semelhante a outras — bafum, bedum, etc. — relativas a mau cheiro. Se não a inventou, faz bem em usá-la.

 

[Texto 5427]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | favorito
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