14
Jan 15

Peles-Vermelhas e Taipis

Neste caso, não copiam

 

      «Donde eram, senão de Nantucket, esses baleeiros indígenas, os Peles-Vermelhas, que se lançaram nas suas pirogas em perseguição do Leviatão?» (Moby Dick, a Baleia Branca, H. Melville. Versão de Alsácia Fontes Machado. Lisboa: Portugália Editora, «Colecção Biblioteca dos Rapazes», s/d, p. 14).

   Modestamente (por não ser integral?), diz-se que é versão, e não tradução. No original, está assim: «Where else but from Nantucket did those aboriginal whalemen, the Red-Men, first sally out in canoes to give chase to the Leviathan?» Quatro páginas antes, lia-se isto: «Foi prisioneiro dos canibais da ilha Nukahiva, os Taipis, sendo libertado meses depois pelo capitão dum baleeiro australiano» (pp. 9-10). Entretanto, a amnésia colectiva acabou com esta regra do Acordo Ortográfico de 1945.

[Texto 5451]

Helder Guégués às 22:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Ortografia: «Liverpul»

Nem de propósito

 

   «Pobre órfão de pai, [Melville] tentou no Estado de Nova Iorque vários modos de vida, sem que nenhum conviesse ao seu feitio vagabundo, acabando por embarcar clandestinamente num navio com destino a Liverpul em 1837» (Moby Dick, a Baleia Branca, H. Melville. Versão de Alsácia Fontes Machado. Lisboa: Portugália Editora, «Colecção Biblioteca dos Rapazes», s/d, p. 9).

   Uma vez, vai fazer treze anos, no Público também saiu um «Liverpul», mas, como só acertam por engano, nunca mais se repetiu.

 

[Texto 5450]

Helder Guégués às 22:22 | comentar | favorito
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Uma amostra

Mandem-na para a PACC

 

      Tinha de a ouvir, não é?, estava ali mesmo à minha frente. Falava para mim, sobretudo. E não se calava. Com cerca de quinze anos de ensino de História. (E não se calava.) Entre outros pontapés (ou coices), saiu-lhe um «faze-o». (E não se calava.) Pobres alunos. Na próxima segunda-feira, vou perguntar-lhe o que pensa sobre a prova de avaliação de capacidades e conhecimentos dos professores. (E não se calava.)

 

[Texto 5449]

Helder Guégués às 21:51 | comentar | favorito
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Sobre «ateliê»

Dificilmente

 

      «Os pormenores do projecto do ateliê Sua Kay foram apresentados na segunda-feira aos dirigentes e coordenadores municipais. Segue-se a discussão na câmara e posterior aprovação. Paulo Vistas quer avançar com a obra ainda este ano» («Nova sede da Câmara de Oeiras vai custar 28 milhões de euros», Marisa Soares, Público, 14.01.2015, p. 14).

    Ateliê, muito bem. Mas aposto que nenhum arquitecto escreve a palavra desta maneira.

 

[Texto 5448]

Helder Guégués às 21:41 | comentar | ver comentários (3) | favorito
14
Jan 15

Escrever sem erros

É difícil, pois

 

      «Até 2013, a leitura e apreensão do sentido global do texto tiveram resultados “bastante satisfatórios” [nos testes intermédios no 2.º ciclo]. Mas em 2014 foi diferente – apenas 42% das respostas tiveram o “nível máximo de desempenho”, resultados que podem ser explicados por ter sido introduzida a análise de um texto poético.

      Mas é na gramática e na escrita que estão as “maiores dificuldades”. Na gramática, os acentos são um dos problemas. Em 2014, apenas 35% das crianças acentuaram correctamente as seis palavras pedidas. No ano anterior, o resultado também tinha sido “insatisfatório” – 25%. Os miúdos têm ainda dificuldade na identificação de rimas - 43% de respostas certas.

      Na parte escrita, embora haja “uma ligeira melhoria” em relação a 2013, os resultados mantêm-se “insatisfatórios” – apenas 42% tiveram o “nível máximo de desempenho”, quando lhes foi pedido para fazerem um texto com a estruturação das diferentes partes. Escrevê-lo com correcção ortográfica, só 28%. Ainda em 2014, só 39% dos textos eram coerentes e só 38% com “vocabulário adequado”» («Escrever sem erros, com coerência, acentuar e contar dinheiro é difícil para miúdos», Maria João Lopes, Público, 14.01.2015, p. 9).

 

[Texto 5447]

Helder Guégués às 09:14 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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