17
Jan 15

Tradução: «crème au beurre»

Disparate

 

    Aqui o nosso tradutor acha que crème au beurre são natas. Está bem enganado. Mais um disparate. E de quem é a culpa? Dele, claro, mas os dicionários não ajudam. Peguemos, por exemplo, no Dicionário de Francês-Português da Porto Editora. Há crème disto e daquilo, mas de au beurre nem vestígios. O crème au beurre é usado como recheio de massas e bolos, e é feito com ovos, calda de açúcar e manteiga. Quanto a natas ou mesmo leite, nada de nada.

 

[Texto 5465] 

Helder Guégués às 20:50 | comentar | favorito
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Léxico: «mussaca»

Do Médio Oriente

 

      A personagem diz que os pratos congelados têm todos mais ou menos o mesmo sabor, e é verdade. Refere-se, concretamente, à mussaca — na tradução, porque no original está moussaka. Aportuguesada, nunca a tinha visto. E, se não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (só regista o... angolanismo, do fiote, «mussaco»), encontramo-la no Vocabulário Ortográfico.

 

[Texto 5464]

Helder Guégués às 19:01 | comentar | favorito

Léxico: «obtestar»

Arejemo-la

 

      «Pouco depois das informações muito de servir, chegou o carteiro com a réplica aos versos de Musset. Lastimava-se elle, queixando-se da injustiça, e obtestando Deus sobre a sinceridade da sua paixão» (A Mulher Fatal, Camilo Castelo Branco. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 4.ª ed., 1902, p. 157).

      É uma mina, este romance de Camilo. E obtestar, valha-me Deus!, ainda não saiu dos dicionários. O mesmo que tomar por testemunha.

 

[Texto 5463]

Helder Guégués às 17:08 | comentar | favorito
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«Há deles que»

De tão velha, nova

 

   «Uns corações têm melhor carnadura que outros. Há deles que cicatrizam depressa golpes fundos. Outros, escoriados à superfície, ulceram mortalmente; e, se escapam, a lesão para toda a vida é certa» (A Mulher Fatal, Camilo Castelo Branco. Porto: Livraria de Campos Júnior, Editor, 2.ª ed., s/d, p. 87).

    Muito curiosa — e extremamente rara em literatura — esta construção. Alguém a conhece?

 

[Texto 5462]

Helder Guégués às 16:20 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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Tradução: «clope»

Vamos poupar o leitor

 

      «T’as pas une clope?», diz a personagem. No Dicionário de Francês-Português da Porto Editora, podemos comprovar que é coloquial e significa «cigarro» ou «beata». O tradutor, porém, quis surpreender-me: «— Não me arranjas um nite?» Pronto, estou surpreendido.

 

[Texto 5461]

Helder Guégués às 14:16 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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17
Jan 15

Léxico: «ciclopedonal»

Antes fabulosa

 

      «Apresentada publicamente como uma obra que vem minimizar os problemas de mobilidade dos peões e ciclistas que circulam entre Telheiras e a zona das Torres de Lisboa, a ponte ciclopedonal ali erguida pela Galp e pela Câmara de Lisboa está pronta há cerca de sete meses sem ter sido ainda aberta ao público» («Ponte da Galp está pronta há meses mas continua sem data para abrir», José António Cerejo, Público, 17.01.2015, p. 10).

   Ciclope... donal. Ciclope, por ser um monstro, infelizmente não fabuloso, por cima da 2.ª Circular. E lá gastaram mais 1,5 milhões de euros.

 

[Texto 5460]

Helder Guégués às 09:59 | comentar | favorito
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