19
Jan 15

Não havia necessidade

Escolhem sempre a pior

 

      No original: «Je ne sais pas du tout ce qu’il faut dire.» Para o tradutor, é assim: «Não sei de todo o que se deve dizer numa ocasião destas.» Bem, não sei se é por influxo do inglês at all, se do francês du tout, como Montexto aqui comentou, o que sei é que de português tem pouco ou nada.

 

[Texto 5474]

Helder Guégués às 22:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Pontuação — mas sem equívocos

Por uma vírgula

 

      «A frase pode ser considerada provocatória, odienta, imbecil, e de total mau gosto. Para os judeus, que foram o alvo do terrorista, é insultuosa. Para a maioria das pessoas, é inaceitável» («Um grande equívoco», José Pacheco Pereira, Público, 17.01.2015, p. 44). Isto escreveu Pacheco Pereira no sábado. Hoje, outro cronista do Público sentenciou a respeito daquela vírgula a seguir a «pessoas»: «esta vírgula é tipicamente sic para quem ainda não aprendeu a escrever qualquer língua indo-europeia». Com frases um tudo-nada equívocas, é preciso ter cuidado, e por isso aqui fica mais claramente: em expressões opinativas como esta e outras semelhantes, a vírgula é facultativa, ou seja, quem a usa acerta e quem não a usa também acerta. Eu uso-a sempre nestes casos.

 

[Texto 5473]

Helder Guégués às 19:32 | comentar | favorito

O descalabro

Uma espécie de doença

  

      Vamos supor que a frase era esta: «En plus sa fille était vautrée sur une chaise à côté de nous et se contemplait dans la vitre près de notre table.» Para o tradutor, a rapariga «controlava a imagem no reflexo do vidro». Claro que uma pessoa tem fúrias quando lê uma coisa destas, mas, por enquanto, também nos divertimos.

 

[Texto 5472]

Helder Guégués às 19:27 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Uma ferramenta genial

Toca a anotar

    

      Ora aqui está uma boa ferramenta: com o Genius, podemos fazer comentários em qualquer página da Internet e partilhar tudo com quem quisermos, e de forma privada.

 

[Texto 5471]

Helder Guégués às 16:16 | comentar | favorito
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19
Jan 15

«Cabecilha», «chefe» e outras

Aleluia!

 

      «Quatro homens foram detidos em Atenas, na Grécia, por estarem, supostamente, ligados à célula jiadista da Bélgica, que foi desmantelada esta semana. Entre os detidos estará o cabecilha que planeava os atentados. O homem, de 27 anos, tem nacionalidade belga, mas é natural do Magrebe, e lutou pelo Estado Islâmico na Síria. Os homens foram detidos pela polícia, em acções separadas. As autoridades belgas estão agora a analisar fotografias, impressões digitais e o ADN que foi enviado pela polícia grega para verificar se o detido é mesmo o homem procurado. Entretanto, na próxima quinta-feira, vai realizar-se, em Londres, uma reunião dos países que integram a coligação contra o Estado Islâmico. O encontro é promovido pelos chefes da diplomacia dos EUA e da Inglaterra» («Detenções na Grécia», Bom Dia, Portugal, 18.01.2015).

      Os tradutores que ponham aqui os olhos: até os jornalistas na televisão conseguem prescindir do omnipresente «líder». Vou já, já ali ao sino da Igreja de Nossa Senhora do Amparo.

 

[Texto 5470]

Helder Guégués às 10:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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