26
Jan 15

Guerra dos Cem Anos

Arredondando

 

      Na Informação (In)útil de hoje, na TSF, dizem-nos (no caso, lembram-me, pois já sabia) que a Guerra dos Cem Anos durou exactamente 116 anos. Tinha de se arredondar, não é? Guerra dos Cento e Dezasseis Anos demoraria muito mais a dizer e a escrever e estaria mais sujeito a erros, pois há quem erre a ortografia do numeral. Estão sempre a errar. Em tudo. Por exemplo, no original está aller ao catéchisme, na tradução ficou «ir ao catecismo».

 

[Texto 5495]

Helder Guégués às 21:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «bataria»

Para variar

 

      «A proposta de cedência ao município do Forte de Albarquel e de uma parcela de terreno na Bataria de Albarquel vai ser apresentada, na próxima quarta-feira, pela presidente da câmara, Maria das Dores Meira (CDU), na reunião pública do executivo municipal, em que a CDU tem maioria absoluta, devendo nessa sessão ser aprovado o “auto de cedência e aceitação”. […] A bataria tem como únicas partes visíveis à superfície as três potentes peças de artilharia que a compõem, o portão de entrada e pouco mais» («Forte de Albarquel cedido ao município de Setúbal», Francisco Alves Rito, Público, 26.01.2015, p. 13).

     É variante, pouco usada, de «bateria», que tem como étimo o francês batterie.

 

[Texto 5494]

Helder Guégués às 07:49 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Traduzem, mas não relêem

E depois sai isto

 

      «“Aliyah é maravilhoso. Adoraríamos ter mais judeus em Israel”, disse Bar-Akiva, referindo-se ao termo hebraico recuperado aquando da fundação de Israel, em 1948, para classificar a ida de milhares de judeus para o seu país. “Mas eu também gostaria que houvesse mais judeus fortes espalhados pelo mundo. Fazer as malas e sair de França é uma espécie de derrota auto-infligida.” […] Nem os judeus franceses são como os judeus russos e etíopes que fugiram ao colapso da União Soviética e à pobreza em África nas décadas de 1980 e 1990 — um fenómeno caracterizado como uma “aliyah motivada por crises”» («Judeus franceses divididos entre ir para Israel e ficar na Europa», William Booth e Ruth Eglash, Público, 26.01.2015, p. 22).

     Ficamos a saber. Só é pena que o tradutor não relesse. Vejam a primeira frase: é relativamente comum este erro em traduções. E o artigo? E aliyah é do género masculino ou feminino? Pois é. Amadores ou profissionais apressados.

 

[Texto 5493]

Helder Guégués às 07:47 | comentar | favorito
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26
Jan 15

Substitui todos os verbos

Esta é que é a pergunta

 

      «Muitas perguntas difíceis
 e estimulantes podem 
ser hoje colocadas sobre Churchill, 50 anos após a sua morte, a 24 de Janeiro de 1965. Por óbvias limitações de espaço, gostaria de escolher apenas três: (1) como explicar a intransigente oposição de Churchill ao comunismo e ao nacional-socialismo, desde o início de ambos e sem qualquer hesitação?; (2) como explicar a sua recusa solitária de qualquer negociação com Hitler, mesmo quando, em 1940, a superioridade militar nazi era evidente e triunfante no continente europeu?; (3) como explicar a sua, de novo solitária, denúncia da “cortina de ferro”, em 1946, quando a Inglaterra e a Europa estavam exaustas pela guerra?» («Três perguntas sobre Winston Churchill», João Carlos Espada, Público, 26.01.2015, p. 41).

      E como explicar que alguém experiente e inteligente que escreve há vários anos ceda desta maneira aos modismos do momento, contribuindo para desfigurar a língua?

 

[Texto 5492]

Helder Guégués às 07:04 | comentar | favorito
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