27
Jan 15

Papel da Arménia

Perfumes e batatas

 

      «O “papier d’armenie” (uma espécie de tiras de papel de incenso francês) está aceso; as toalhas de algodão feitas à mão da Turquia estão prontas a utilizar e Marie Sabatier está preparada para receber o próximo cliente. […] O espaço ­— que em tempos foi uma reserva de batatas — funciona agora como a segunda casa de Marie (numa mesa está uma fotografia de quando era criança, e num canto há uma lareira), onde recebe não só amigos como todas as pessoas que, com marcação, queiram cortar o cabelo — a sua especialidade há trinta anos» («Marie, uma cabeleireira francesa em Lisboa», Sara Chaves, «Tentações»/Sábado, 22-28.01.2015, p. 47).

   Francamente. Até nas lojas dos chineses se pode comprar papel da Arménia, e é isto que lá está escrito. Temos é de abrir os olhos. «Fumavam uns charutos de contrabando que Hildebranda havia levado escondidos no forro do baú e depois queimavam folhas de papel da Arménia para purificar o ar de tugúrio que deixavam no quarto» (O Amor nos Tempos de Cólera, Gabriel García Márquez. Tradução de Margarida Santiago. Alfragide: BIS/Leya, 2012, p. 153). Numa velhinha Revista de Portugal, leio: «Papel da Arménia — Papel impregnado de perfume que se queima para sanear e purificar o ar.»

   Nunca ouvi falar em reserva de batatas neste sentido, apenas em armazém de batatas: «A sinagoga de Tomar seria classificada como monumento nacional, por decreto de 29 de Julho de 1921. Pertença de um particular, que a utilizava como armazém de batatas, seria comprada por Samuel Schwarz em 5 de Maio de 1923, ano em que começaria uma intervenção para a recuperar, doando-a ao estado português, para nela se instalar o Museu Luso-Hebraico» (Portugal e os Judeus, vol. 2, Jorge Martins. Lisboa: Vega, 2006, p. 175).

 

[Texto 5497]

Helder Guégués às 15:41 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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27
Jan 15

«Oh se vou»

Para certa escritora

 

      «Ah, mas eu vou falar com essa tipa, oh se vou! (Navegador Solitário, João Aguiar. Porto: Edições ASA, 1996, p. 63). É assim que se escreve, e não, como fez, «ó se vou».

 

[Texto 5496]

Helder Guégués às 15:29 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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