Tradutores, precisam-se

É grego

 

      «Foi Cícero quem primeiro aconselhou o mundo a não fazer traduções literais, “palavra por palavra”. Quando
 isso acontece, o resultado pode ser catastrófico. No mínimo, gera confusão. O novo ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, mal começou as suas funções — e mal começou a falar — e já gerou controvérsia universal. O que disse exactamente quando caracterizou a troika em grego? […] Os estrangeiros que dominam o grego descrevem a língua como emotiva, visceral e apaixonada. Os gregos gostam de dizer que têm palavras intraduzíveis. O exemplo clássico é philotimo [φιλότιμο], que vem de filos (amigo) e timi (honra) e que quer dizer algo entre fazer o bem, mesmo quando colocamos [sic] a nossa vida em risco, decência, dignidade, respeito, verdade, sinceridade, sentido de dever, coragem, amor pela família, sacrifício pessoal, generosidade, honra. “Não tens philotimo?” ou “Quanto philotimo tens?” são perguntas que se fazem no dia-a-dia para motivar uma criança a fazer os TPC, numa situação de guerra ou simplesmente para alguém parar de fazer barulho» («Lost in Greek», editorial, Público, 2.02.2015, p. 43).

 

[Texto 5521]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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