17
Fev 15

Só não percebem português

Que são muitos

 

      Não somos só nós que o dizemos: «Defendia­-se [no parecer que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida emitiu para um modelo de decisão para o financiamento do custo dos medicamentos] a abordagem chamada “responsabilidade com razoabilidade” (accountability for reasonableness” – para a multidão de leitores do PÚBLICO viciada em termos ingleses)» («Hepatite C: para as pessoas lá de casa perceberem», Rosalvo Almeida, Público, 16.02.2015, p. 47).

 

[Texto 5578]

Helder Guégués às 21:02 | comentar | favorito
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«Distráctil»?

Que se afasta normalmente

 

      Estive a ajudar a preencher a escala, na forma completa, de Conners para professores. Então, onde Keith Conners escreveu «Inattentive, easily distracted», a tradutora, Ana Nascimento Rodrigues, do Departamento de Educação Especial e Reabilitação da Faculdade de Motricidade Humana/UL, achou que ficava bem «Desatento(a) e distráctil (facilmente distráctil)». Isto há-de ser invenção, mal copiada da língua inglesa, dos psicólogos.

 

[Texto 5577]

Helder Guégués às 20:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Léxico: «trapista/trapistina»

Todos de Trapa

 

      Thomas Merton, nascido em 31 de Janeiro de 1915, trapista, místico e escritor, está agora a ser recordado pela Igreja da Austrália por ser «uma das maiores vozes da Igreja da Idade Moderna». Se fosse uma mulher, seria trapistina (que é também o nome dado ao licor antigamente fabricado por estes monges, embora sejam mais famosas, consideradas entre as melhores do mundo, as cervejas trapistas).

 

[Texto 5576]

Helder Guégués às 17:36 | comentar | favorito
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Os mais preparados

De sempre

       

  Fico muito espantado por saber que uma boa percentagem de estudantes espanhóis — talvez até da geração do Erasmus-Orgasmus — confunde as formas verbais cayó e calló. Não será por isto, claro, que Rosa Montero ainda ontem disse que os Espanhóis são umas bestas, até porque não são. É o habitual: ela sente-se bem cá, nós sentimo-nos bem lá.

 

[Texto 5575]

Helder Guégués às 16:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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17
Fev 15

Léxico: «corto-perfurante» e «perioperatório»

Já são muitas

       

   No domingo, 15, a propósito do Dia Europeu do Enfermeiro Perioperatório, ouvi na RTP1: «Todos os anos mais de 30 mil profissionais de saúde sofrem acidentes nos blocos operatórios com objectos corto-perfurantes. Estes casos aumentam o risco de transmissão de doenças» (Bom Dia Portugal, RTP1, 15.02.2015). Ora cá estão dois vocábulos — perioperatório e corto-perfurante — que não encontramos em muitos dicionários. Não os encontramos, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. O segundo explica-se por si próprio (é auto-explicativo, outra palavra ausente daquele dicionário); o primeiro, que o Dicionário Aulete regista, aplica-se, no caso, ao enfermeiro que actua antes e após uma cirurgia, porque peri- é o prefixo que exprime a ideia de à volta de, perto de, em redor.

 

[Texto 5574]

Helder Guégués às 16:01 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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