26
Fev 15

Léxico: «hacktivismo»

Agora vão ser presentes...

 

      «Esta manhã, a Polícia Judiciária esteve no terreno a desenvolver uma larga operação de combate à criminalidade informática e tecnológica, designadamente ao crime que é conhecido por hacktivismo» (Patrícia Cerdeira, noticiário da 1 da tarde, Antena 1, 26.02.2015).

      Ainda vai passar para os manuais e mesmo para o Código Penal. E agora? Bem, os «detidos vão ser agora presentes a primeiro interrogatório para aplicação das medidas de coacção».

 

[Texto 5606]

Helder Guégués às 14:12 | comentar | favorito
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Léxico: «dupla conforme»

Os juízes decidem

 

      «Os juízes desembargadores do Tribunal da Relação de Lisboa Nuno Coelho, Teresa Féria e Margarida Conceição Gomes mantiveram na íntegra a decisão dos seus colegas da primeira instância, tornando assim impossível o recurso para o Supremo Tribunal de Justiça, uma vez que se verifica a chamada “dupla conforme” — duas sentenças sobre o mesmo caso que vão no mesmo sentido» («Tribunal da Relação mantém condenação de Jardim Gonçalves», Ana Henriques, Público, 26.02.2015, p. 23).

 

[Texto 5605]

Helder Guégués às 11:21 | comentar | favorito
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Portugueses não sabem ler

Não apenas rótulos

 

      «“Consideramos que as pessoas, e mesmo os profissionais de saúde, têm dificuldade em saber os valores de sal recomendados, e embora digam que sabem ler rótulos, não é bem assim. Não queremos uma atitude persecutória, até porque ao contrário do tabagismo o consumo excessivo de sal não prejudica a pessoa ao lado, mas com uma rotulagem simples e intuitiva queremos dar às pessoas a oportunidade de saberem o que estão a comprar”, explica Fernando Pinto [presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão], reforçando que com uma medida destas “o mercado reagiria e iria reduzir naturalmente o sal que adiciona aos produtos”» («21% da população portuguesa não sabe que tem hipertensão», Romana Borja-Santos, Público, 26.02.2015, p. 21).

 

[Texto 5604]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Fev 15

Sobre «condolências»

Doer-se com

 

      «A PSP prestou condolências às famílias das vítimas e homenageou os agentes» («Polícias colhidos pelo comboio tinham menos de trinta anos», Joana Machado, Telejornal, 25.02.2015). É muito mais frequente com o verbo «apresentar», apresentar condolências. Na homenagem, o superintendente Jorge Maurício, comandante da PSP, falou na «família policial», expressão que eu nunca antes ouvira ou lera; «família militar», sim, usa-se com alguma frequência. O início da homenagem parece copiado de qualquer filme norte-americano: «Os nossos pensamentos e orações estão com a família policial, etc.»

 

[Texto 5603]

Helder Guégués às 08:01 | comentar | favorito
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25
Fev 15

Tempos e regência verbal

Um certo convite

 

      Recebi agora mesmo um convite para assistir a uma conversa sobre a obra A Noite mais Longa, de Miguel Pinheiro, publicado pela Esfera dos Livros. «Na noite de 6 de agosto de 1968», pode ler-se nele, «aqui, em Cascais, houve um evento que chamou a atenção das mais altas figuras do estado [sic]. Um evento que “antecipou” as alterações profundas que a sociedade portuguesa assistiu, pois quisera o destino traçar que nesses dias se anunciava o princípio do fim do regime com a decadência física de Salazar.» Tempos e regência verbal são apenas dois dos calcanhares de Aquiles de muitos falantes (e dir-se-ia, mas estaríamos enganados, porque estamos a falar de bípedes, que não têm mais), mesmo dos que trabalham com livros.

 

[Texto 5602]

Helder Guégués às 17:10 | comentar | favorito
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25
Fev 15

Sem «suxi», mas com «temacaria»

Sete cães a um osso

 

    A Uber, lê-se em alguns jornais, numa parceria com o Noori, «temakeria portuguesa», está a oferecer aos seus clientes do Porto e de Lisboa, hoje e amanhã, refeições de sushi. A operação envolve ainda outros estrangeirismos, mas só estes já nos dão que fazer. Uma vez que a imprensa não teve coragem para aportuguesar esta última e escrever suxi, por exemplo, como já em tempos concluímos que seria a melhor grafia, pelo menos que passemos a ver temacaria, que é o restaurante especializado na confecção de 手巻き, temaquis (está bem: temakis), cones recheados com algas nori, arroz de suxi (está bem: sushi), entre outros ingredientes.

 

[Texto 5601]

Helder Guégués às 15:35 | comentar | favorito
24
Fev 15
24
Fev 15

Léxico: «feieza»

Não se vê muito

 

      «Mas, a despeito de tanta feieza, nunca lhe faltou matéria-prima para o seu ofício, durante todo o tempo em que escrupulosamente o exerceu, facto que por inexplicável serviu para alimentar murmúrios, conversas de quimbandas e ofertas» (A Conjura, José Eduardo Agualusa. Luanda: Edições Maianga, 2004, p. 46).

 

[Texto 5600]

Helder Guégués às 20:35 | comentar | favorito
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23
Fev 15
23
Fev 15

«Tequila/tequilha»

Estava-se em 2001

 

      «As criações de Tânia e Luís fazem-nos parecer seres virtuais, uma espécie de avatares. Mas não são. São humanos. Tão humanos, que se conheceram a beber tequilla num bar da Ericeira e tomaram-se de amores um pelo outro. Estavam em 2001» («Os artistas do pixel que andam nas bocas do mundo», Joana Capucho, Diário de Notícias, 23.02.2015, p. 32).

      Há muito que essa bebida ganhou cidadania portuguesa: tequila ou tequilha. Assim como, por exemplo, píxel e videoclipe, que a jornalista também usou neste artigo. «Estavam em 2001.» E os demais, em que ano estavam?

 

[Texto 5599]

Helder Guégués às 23:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito