03
Mar 15

Sobre «sigla»

Aprender com os erros?

 

      «“A indescritível dimensão das violações e dos abusos de direitos humanos, os assassinatos e a forma como são exibidos, as perseguições atrozes de grupos religiosos e étnicos — nomeadamente cristãos e yazidis — e os actos sistemáticos de violência sexual que vitimam mulheres e crianças não podem ficar impunes”, sentenciou. “A actuação desumana do autoproclamado ISIS [Estado Islâmico nas siglas inglesas] reforça a nossa determinação em erradicar este grupo terrorista que ameaça os valores e os princípios mais elementares que todos partilhamos”, sublinhou» («Rui Machete reivindica liberdade de expressão e defende papel dos jornalistas», Nuno Ribeiro, Público, 3.03.2015, p. 8).

      Tudo tão simples, mas é como se vê. Nuno Ribeiro, sigla, no singular, é nome da sequência formada pelas letras ou sílabas de palavras que constituem uma expressão. Logo, ISIS é uma sigla inglesa, não duas ou três.

 

[Texto 5626]

Helder Guégués às 21:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «haitianismo»

Mas com dúvidas

 

      «Sim, a palavra “haitianismo” circulava. Mas, curiosamente, era em geral escrita por observadores estrangeiros. Nestes panfletos que nós pegámos, há quase nada sobre escravidão. Eu não estou dizendo que isso não teve importância: a manutenção da ordem política facilitava a manutenção da ordem social e para muitas dessas pessoas isso era claro. Muitos eram filhos de proprietários rurais. Mas vários deles, o próprio José Bonifácio, foi o primeiro a mandar uma moção à constituinte brasileira pedindo o fim lento do tráfico de escravos e o fim lento da escravidão. Outros coimbrões também escreveram nessa direcção. O processo de independência brasileira não foi pacífico — na Bahia houve guerra civil —, mas comparado com o da América espanhola foi muito menos violento — o que se deveu à manutenção da ordem social» (José Murilo de Carvalho, historiador brasileiro, em entrevista a Manuel Carvalho. «A elite de Coimbra que manteve o Brasil unido», Público, 3.03.2015, p. 28).

   Era a palavra usada para caracterizar as ideias e as acções que preconizavam a abolição da escravatura por meio de insurreições armadas, como no Haiti, e não por meios pacíficos. Estará mesmo bem formada, a palavra «haitianismo»? Não devia ser «haitismo» (ou mesmo «haitiismo»)?

 

[Texto 5625]

Helder Guégués às 19:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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03
Mar 15

Brasiliense, brasílico, brasileiro

Era ofensivo

 

      «Veja bem, não havia ideia de Brasil. Havia essa figura chamada “Brasil”, que era uma colónia, mas a sensação de brasilidade
 não existia. Inclusivamente, a palavra “brasileiro” não era muito usada. Usava-se “brasiliense” ou “brasílico”. “Brasileiro”, durante muito tempo, era uma palavra feia — designava os comerciantes de pau-brasil e quem era comerciante já era uma pessoa. Eu li uma vez numa história dos jesuítas um conflito que houve num convento em São Paulo, no século XVII, porque um jesuíta chamou outro de “brasileiro”» (José Murilo de Carvalho, historiador brasileiro, em entrevista a Manuel Carvalho. «A elite de Coimbra que manteve o Brasil unido», Público, 3.03.2015, p. 28).

 

[Texto 5624]

Helder Guégués às 17:07 | comentar | favorito
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