21
Mar 15

Ortografia: «passou-bem»

Vai ser reabilitada

 

     «Reino Unido. Espera-se um passou-bem leve, seguido de um passo atrás para manter uma distância apropriada» («Aperte a mão e solte feromonas», Susana Lúcio, Sábado, 19.03.2015, p. 74).

     Nos últimos anos, raramente ouvi ou li esta palavra. Por coincidência, porém, na semana passada, vi-a escrita assim: «passou bem». Sim, também entre aspas.

 

[Texto 5677]

Helder Guégués às 21:52 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Ortografia: «xenoestrogénio»

Também não precisa

 

      São os estrogénios fabricados pelo homem, tais como a terapia de reposição hormonal, as toxinas ambientais, os aditivos alimentares, etc. Estamos mais habituados a ouvir e ler fitoestrogénios, que são as fontes vegetais de estrogénio, como a linhaça e a soja. Ora, o elemento grego xeno-, que significa «estranho» (lembrem-se de «xenofobia», por exemplo), solda-se ao elemento seguinte: xenoestrogénio. Não o vejo nos dicionários (o que também acontecia com «fitoestrogénio», que por sugestão minha consta agora do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora).

 

[Texto 5676] 

Helder Guégués às 18:45 | comentar | favorito

Ortografia: «perimenopausa»

Não precisa, Sr. Dr.

 

      O termo médico usado para denominar a fase de transição que marca o fim da vida reprodutiva feminina é perimenopausa, que não vejo em nenhum dos dicionários que habitualmente consulto, o que explicará, pelo menos em parte, que a veja tantas vezes mal escrita. O prefixo, de origem grega, peri-, que exprime a ideia de à volta de, em redor de, nunca precisa de hífen. É curiosa (e causa de confusões) a semelhança de perinatal, outro composto greco-latino, com pré-natal. Ah, sim, tenho a certeza: se numa obra com vários autores se fala na «taxa de mortalidade pré-natal»... 

 

[Texto 5675]

Helder Guégués às 16:58 | comentar | favorito
21
Mar 15

Ortografia: «meias-palavras»

Nada melhorou

 

      «Sem meias palavras, o filme que agora estreia sob o título
 Vingança ao Anoitecer, retirado das mãos do seu realizador e montado à sua revelia, é um desastre que não se percebe porque chega às salas» («Vingança ao Anoitecer», J. M., «Ípsilon»/Público, 20.03.2015, p. 31).

      Serão já poucos os jornalistas que consultam dicionários: julgam já saber tudo. Ou, pior, estão-se a borrifar para a língua e para os leitores. «São só palavras.» Escreve-se meias-palavras, como também se escreve meias-calças, meias-medidas, meias-partidas... Para quem adoptou, livremente ou forçado, as regras do Acordo Ortográfico de 1990, é exactamente igual. E o verbo estrear não é reflexo quando significa fazer alguma coisa pela primeira vez? É.

 

[Texto 5674]

Helder Guégués às 14:33 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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