04
Mar 15
04
Mar 15

«Novela gráfica»?

Dirão: soa melhor

 

   «O termo novela gráfica já entrou na linguagem corrente e é rapidamente associado a uma banda desenhada de qualidade, que explora de diferentes maneiras a articulação entre o texto e o desenho» («Quando a arte sequencial se transforma em literatura desenhada», João Miguel Lameiras, Público, 4.03.2015, p. 47).

     Pois é, mas de graphic novel só podíamos ter o termo «romance gráfico». Mais uma vez, seguimos acriticamente o inglês. Dirão: soa melhor. Porque será?

 

[Texto 5627]

Helder Guégués às 14:58 | comentar | favorito | partilhar
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03
Mar 15

Sobre «sigla»

Aprender com os erros?

 

      «“A indescritível dimensão das violações e dos abusos de direitos humanos, os assassinatos e a forma como são exibidos, as perseguições atrozes de grupos religiosos e étnicos — nomeadamente cristãos e yazidis — e os actos sistemáticos de violência sexual que vitimam mulheres e crianças não podem ficar impunes”, sentenciou. “A actuação desumana do autoproclamado ISIS [Estado Islâmico nas siglas inglesas] reforça a nossa determinação em erradicar este grupo terrorista que ameaça os valores e os princípios mais elementares que todos partilhamos”, sublinhou» («Rui Machete reivindica liberdade de expressão e defende papel dos jornalistas», Nuno Ribeiro, Público, 3.03.2015, p. 8).

      Tudo tão simples, mas é como se vê. Nuno Ribeiro, sigla, no singular, é nome da sequência formada pelas letras ou sílabas de palavras que constituem uma expressão. Logo, ISIS é uma sigla inglesa, não duas ou três.

 

[Texto 5626]

Helder Guégués às 21:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito | partilhar
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Léxico: «haitianismo»

Mas com dúvidas

 

      «Sim, a palavra “haitianismo” circulava. Mas, curiosamente, era em geral escrita por observadores estrangeiros. Nestes panfletos que nós pegámos, há quase nada sobre escravidão. Eu não estou dizendo que isso não teve importância: a manutenção da ordem política facilitava a manutenção da ordem social e para muitas dessas pessoas isso era claro. Muitos eram filhos de proprietários rurais. Mas vários deles, o próprio José Bonifácio, foi o primeiro a mandar uma moção à constituinte brasileira pedindo o fim lento do tráfico de escravos e o fim lento da escravidão. Outros coimbrões também escreveram nessa direcção. O processo de independência brasileira não foi pacífico — na Bahia houve guerra civil —, mas comparado com o da América espanhola foi muito menos violento — o que se deveu à manutenção da ordem social» (José Murilo de Carvalho, historiador brasileiro, em entrevista a Manuel Carvalho. «A elite de Coimbra que manteve o Brasil unido», Público, 3.03.2015, p. 28).

   Era a palavra usada para caracterizar as ideias e as acções que preconizavam a abolição da escravatura por meio de insurreições armadas, como no Haiti, e não por meios pacíficos. Estará mesmo bem formada, a palavra «haitianismo»? Não devia ser «haitismo» (ou mesmo «haitiismo»)?

 

[Texto 5625]

Helder Guégués às 19:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito | partilhar
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03
Mar 15

Brasiliense, brasílico, brasileiro

Era ofensivo

 

      «Veja bem, não havia ideia de Brasil. Havia essa figura chamada “Brasil”, que era uma colónia, mas a sensação de brasilidade
 não existia. Inclusivamente, a palavra “brasileiro” não era muito usada. Usava-se “brasiliense” ou “brasílico”. “Brasileiro”, durante muito tempo, era uma palavra feia — designava os comerciantes de pau-brasil e quem era comerciante já era uma pessoa. Eu li uma vez numa história dos jesuítas um conflito que houve num convento em São Paulo, no século XVII, porque um jesuíta chamou outro de “brasileiro”» (José Murilo de Carvalho, historiador brasileiro, em entrevista a Manuel Carvalho. «A elite de Coimbra que manteve o Brasil unido», Público, 3.03.2015, p. 28).

 

[Texto 5624]

Helder Guégués às 17:07 | comentar | favorito | partilhar
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02
Mar 15

Léxico: «bolo do caco»

Pão, pão, queijo, queijo

 

      «Já não são poucas as hamburguerias no Porto, mas ainda faltava um espaço que servisse os seus hambúrgueres no tradicional bolo do caco» («Hambúrgueres no caco», Luísa Marinho, «Tentações»/Sábado, 26.02.2015, p. 15).

      Agora já há: é a Tasquinha do Caco, no Passeio de São Lázaro. Mas quanto ao que nos interessa: bolo do caco não está em nenhum dos dicionários que aqui tenho, e porventura em nenhum outro. Bolo é só de nome, pois é um pão redondo e achatado, de farinha triga, por vezes com batata-doce, mal cozido e com pouco fermento, típico da Madeira. O nome vem de ser cozido num assador de barro, conhecido por caco, pois claro, mas também se pode cozer numa frigideira (seria então a nossa pancake, bolo de frigideira) directamente sobre a cinza ou sobre brasas, como Paulo Moreiras ensina no seu excelente Pão & Vinho (Dom Quixote, 2014). Agora marchava um com manteiga de alho.

 

[Texto 5623]

Helder Guégués às 23:43 | comentar | favorito | partilhar

Léxico: «benzoca»

Gente fina

 

      «Ele não tomava a iniciativa para nada – já lhe disse que sempre fui o homem de tudo. Ele era um menino muito benzoca, com olhos muito azuis e espadaúdo» (Graça Lobo, em entrevista a Raquel Lito. «“Ninguém se apaixona por mim, sou demasiado velha”», Sábado, 26.02.2015, p. 68).

      A última vez que a vira foi na obra Desejos de Chocolate, de Trisha Ashley, traduzido por Maria João Freire de Andrade (Quinta Essência, 2010), para verter «terribly grand people».

 

[Texto 5622]

Helder Guégués às 23:04 | comentar | favorito | partilhar
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02
Mar 15

Léxico: «subdotado»

Pode fazer falta

 

      «Acho que ninguém, nem sequer o dr. Noronha do Nascimento, me irrita tanto quanto Meryl Streep. Não sei se por ser sobrevalorizada enquanto actriz, ou subdotada enquanto pessoa» («Mamma Mia!», Alberto Gonçalves, Sábado, 26.02.2015, p. 90).

 

[Texto 5621]

Helder Guégués às 22:55 | comentar | favorito | partilhar
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