29
Mar 15

AOLP90 e as instituições sérias

Pensem nisso

 

      Do correio dos leitores para o provedor do Público, respigamos esta reclamação: «A leitora Helena Faria escreve: “Na edição do passado dia 13, sob o título ‘Apocalise abruto’, Octávio dos Santos cita diversas organizações que, na opinião do autor, constituem exemplos de erros graves na escrita. (...) Apesar de se tratar de um artigo de opinião não nos parece correcto que o autor utilize exemplos de organizações sérias e respeitadas para fazer valer a sua opinião que é tão válida como a de quem decide utilizar o acordo ortográfico”» (29.03.2015, p. 53).

    Pois a mim, e a qualquer pessoa sensata, parece-me correcto e legítimo, até porque não se trata de diferença de opinião, antes de quem adoptou as novas regras ortográficas não o saber fazer com proficiência. E a culpa é de quem, nossa ou desses falantes?

 

[Texto 5696]

Helder Guégués às 10:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Mar 15

Quem muito escolhe...

Temos melhor

 

      O «Escrito na pedra» de hoje, no Público, é uma citação do poeta satírico francês Mathurin Régnier (1573-1613): «Quem muito quer escolher fica com o pior.» Não há no nosso adagiário o mesmo, mas melhor? Há, pois: Quem muito escolhe, pouco acerta.

 

[Texto 5695]

Helder Guégués às 09:52 | comentar | favorito
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28
Mar 15

O AOLP90 explicado aos patos

Gente medíocre

 

      É óbvio que o ponto de ironia faz falta, e de que maneira, pelo menos para quem (mesmo que seja autor de gramáticas) não entende à primeira. Acusaram-me de defender que, segundo o Acordo Ortográfico de 1990, é «pato com o Diabo» que se escreve. Isto é má-fé e estupidez. Não ponho aqui o nome da criatura porque não faço publicidade a gente medíocre. Ficará com essa espinha. O que eu afirmei já diversas vezes, e volto a afirmar, é que, independentemente dos defeitos do acordo, que são muitos e já salientei alguns, a maioria dos falantes não o sabe aplicar. E que falantes? Alguns, infelizmente muitos, professores (colegas, decerto, da criatura), jornalistas, tradutores, entre outros, supostamente qualificados. Os exemplos de estarrecer pululam por aí, mas eu lembro-me sempre daquela professora, com vinte anos de ensino, que, numa acção de formação sobre o novo acordo ortográfico, escreveu que já estava a ensinar a nova grafia, os novos vocábulos aos seus alunos, «adatando-os».

 

[Texto 5694]

Helder Guégués às 18:04 | comentar | ver comentários (6) | favorito
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«Faits-divers»

Outra invariável?

 

      «No geral, porque existem excepções, as mulheres 
são relegadas para os faits-divers ou para notícias que as vitimizam, enquanto os homens se apresentam como especialistas ou autoridades» («Saltos em frente», Manuel Dias Coelho, Público, 11.03.2015, p. 46).

      Estão a ver bem (não andam nada chochos...): o artigo já tem duas semanas, mas isso não interessa. Não está correcto, aquele plural, «os faits-divers»? Está, que o confirmei. Ora, estou sempre a vê-lo mal escrito. Culpados? Vários. Para o Vocabulário Ortográfico Português do ILTEC, por exemplo, é invariável... Faits-divers (por vezes, sem hífen) é a secção do jornal em que aparecem notícias que não cabem nas secções especializadas de política, economia, desporto, etc.; cada uma dessas notícias só pode ser, acho eu, um fait-divers.

 

[Texto 5693]

Helder Guégués às 16:48 | comentar | favorito
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28
Mar 15

«Deu-lhe uma bava.»

Memória selectiva

 

      «“Deu-lhe uma bava.” A expressão pode ainda não concorrer para o pódio das novas palavras, aquelas que determinado ano acrescenta ao nosso léxico, mas já tem seguidores. Uma “bava” é, depois da audição de Zeinal Bava, na comissão de inquérito à gestão do BES, um esquecimento útil. Uma espécie de abençoada falta de memória. Afinal, o ex-CEO da PT fez questão de repetir a mesma expressão – “Não guardo na memória” – demasiadas vezes para o gosto dos deputados que qualificaram como “frustrante” a sua prestação» («As “bavas”, os álibis e as dívidas ou o que fica do inquérito ao BES», Cristina Ferreira e Paulo Pena, Público, 28.03.2015, p. 20).

 

[Texto 5692]

Helder Guégués às 11:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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27
Mar 15

Ponto de ironia

Podia dar jeito, sim

 

     Sabiam que em grego clássico não existia o sinal de exclamação? E, no entanto, foi por influência da língua grega que se foram introduzindo, a pouco a pouco, os sinais de pontuação nas línguas europeias. E do ponto de ironia, já tinham ouvido falar? Foi inventado por Alcanter de Brahm, no século XIX, e ficava no fim da frase, assim: Cavaco Silva é muito loquaz؟ Para quem não percebe à primeira...

 

[Texto 5691]

Helder Guégués às 19:08 | comentar | ver comentários (4) | favorito

«Porque», advérbio interrogativo

Pergunta bem

 

    «No meio disto, desta pobreza e desta inconsciência, porque não a extravagância de Henrique Neto?» («Henrique Neto», Vasco Pulido Valente, Público, 27.03.2015, p. 52). E pergunta muito bem, assim todos os que escrevem o fizessem da mesma maneira. (E os Brasileiros que continuem a fazer como sempre fizeram.)

 

[Texto 5690]

Helder Guégués às 10:20 | comentar | ver comentários (1) | favorito
27
Mar 15

«Patos com o Diabo»: ainda o AOLP

O pesadelo continua

 

      Nuno Fradique Vieira evoca hoje a sua professora de Português, e termina o seu artigo no Público assim: «Em prol da memória da Dra. Maria Alice, agradeço ao PÚBLICO por não enveredar pelo caminho do “menor esforço” que está a conduzir à destruição da Língua Portuguesa e ao aumento da iliteracia — criando situações deploráveis onde escritores consagrados por um Nobel celebram “patos” com o Diabo e sinais de trânsito proíbem a passagem “exeto” para (ironia das ironias) acesso à Faculdade de Letras e à Faculdade de Ciências. Escusando-se a adoptar o “Acordo Ortográfico”
 de 1990, que não é “Acordo” (porque um acordo pressupõe a concordância de todas as partes) e não é “Ortográfico” (porque a palavra grega “orthós”, como a Dra. Maria Alice nos ensinou, significa “direito” — 
e este pseudo-acordo é uma ode à tortuosidade, à incoerência e à pequenez de espírito), o PÚBLICO está a preservar o legado de todos os professores e professoras que foram como a minha hoje querida Dra. Maria Alice. Bem hajam!

      Nota: Junte-se a nós no Facebook; adira a “Cidadãos contra o ‘Acordo Ortográfico’ de 1990”» («Aprendi com quem sabia», Nuno Vieira Fradique, Público, 27.03.2015, p. 49).

      Tirando o exagero — e, de certa maneira, disparate — de afirmar que o Acordo Ortográfico aumenta a «iliteracia», tudo o mais é verdade e deplorável.

 

[Texto 5689]

Helder Guégués às 09:57 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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