30
Abr 15
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Abr 15

Ortografia: «beta-talassemia»

Uma aproximação

 

      «Nascido 
a 26 Janeiro, o bebé permitiu curar um dos irmãos afectados por uma doença chamada “beta talassémia” (também conhecida por “talassémia major”)» («Bebés-medicamento já nasceram em vários países», Público, 30.04.2015, p. 3).

      Só alguém com noções muito imperfeitas da ortografia é que podia pensar que se escreve assim. É β-talassemia ou beta-talassemia. E também é claro que o «outro» nome não é apenas talassemia major, mas também beta-talassemia major.

 

[Texto 5807]

Helder Guégués às 09:40 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Abr 15

Algumas trapalhadas

Umas pequenas manchas

 

      «Ontem, por exemplo, o tribunal cível de Lisboa apoiou a providência cautelar interposta pela Antral, a federação dos taxistas, que pede a proibição da actividade da Uber em Portugal, alegando que a empresa americana faz concorrência desleal» («Google e Uber: uma rouba, a outra não», Henrique Raposo, Expresso Diário, 29.04.2015).

      Então o nome do tribunal já não merece maiúsculas? Merece. Tribunal que não apoiou nem desapoiou; e a Antral não interpôs a providência cautelar, isso podemos garantir.

 

[Texto 5806]

Helder Guégués às 21:20 | comentar | favorito
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29
Abr 15

Léxico: «biparental»

Tudo pela metade

 

      «“Pessoalmente, sou contra a PMA fora de um projecto biparental, mas se a sociedade reivindicar esse direito para as mulheres sós, fantástico. O que faço às mulheres que me procuram, [sic] é indicar-lhes os sítios onde é possível submeterem-se a tais técnicas”, conclui Silva Carvalho [ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução (SPMR)]» («Médicos querem que lei admita o recurso a “barrigas de aluguer”», Natália Faria, Público, 19.07.2009, p. 2).

     Foi, provavelmente, a última vez que se usou a palavra «biparental» no jornal Público, ao passo que «monoparental», por seu lado, é muito usado. O que não justifica, certamente, que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não registe a primeira, mas acolha a segunda. O Dicionário Houaiss, se regista o vocábulo, não regista a acepção do texto acima: «1. Diz-se da ou herança em que a prole apresenta características de ambos os genitores. 2. Diz-se de ou zigoto raro de certas algas, o qual contém o ADN dos cloroplastas de ambos os genitores».

 

[Texto 5805]

Helder Guégués às 14:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Abr 15

Como se escreve nos jornais

E como se pensa

 

      «Claro que, para responder ao inquérito, tem que saber [sic] inglês — conhecer só emojis não o levará a lado nenhum. Se precisar de ajuda, pode recorrer ao Oxford English Dictionary, onde a palavra “emoji” já está incluída, apesar de, ironicamente, representar um conceito que substitui precisamente as palavras» («#Linguagem. Não entende emoji? Está condenado», Nelson Marques, Expresso Diário, 28.04.2015).

     É mesmo irónico, de facto, isto de uma palavra estar num dicionário. Quando voltaremos a ver igual fenómeno?

 

[Texto 5804]

Helder Guégués às 21:22 | comentar | favorito
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Léxico: «ciscar»

Assim, é uma quinta

 

     «Afinal, desde 1992 que teclamos nos telefones como se fossemos galinhas a ciscar o chão» («O SMS está para durar», Pedro Miguel Oliveira, Expresso Diário, 27.04.2015).

    O ciscar das galinhas é muito bonito, reconheço. É pena misturar depois com os porcos. É dos erros mais comuns.

 

[Texto 5803]

Helder Guégués às 19:54 | comentar | favorito
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O descalabro das «colocações»

Lemos e não acreditamos

 

      «Há dois anos, Thomas Piketty saltou com o seu livro “O Capital no Século XXI” para linha [sic] da frente do debate económico mundial. À esquerda aplaudiu-se a forma como colocou o dedo na ferida da desigualdade. À direita colocou-se em causa a metodologia e as soluções, que incluíam aumentar fortemente
 os impostos sobre os mais ricos» («“A dívida de Portugal vai ser reestruturada. É tão simples quanto isso”», Sérgio Aníbal e Bárbara Reis, Público, 28.04.2015, p. 2).

 

[Texto 5802]

Helder Guégués às 10:29 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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28
Abr 15

Sobre «incardinar»

Não é o mesmo

 

      E depois o sacerdote «regressou a Portugal para se incardinar na diocese da Guarda». Bem sei que 99,99 % dos leitores do Linguagista nunca antes ouviram nem leram este verbo, mas isso não interessa, ficam a saber agora: no sentido de admitir clérigo numa diocese, é transitivo; no sentido de sujar-se de cardina, é intransitivo. Quanto ao que os dicionários registam, também há diferenças. Assim, a título de exemplo, para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é «admitir (clérigo afastado de outra diocese)»; para o Dicionário Houaiss, é «admitir (clérigo) numa diocese». Só esta definição está de acordo com o Código de Direito Canónico. Em castelhano, não apenas tem ainda outra acepção, de uso frequente, como também é pronominal.

 

[Texto 5801]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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