10
Abr 15

«Como tal»

A mania da invariabilidade

 

      «Os óleos […] têm de ser extraídos para os podermos utilizar como tal.» Expressão fixa e invariável, como que locução adverbial, há quem defenda. Vejamos agora uma frase de Machado de Assis do volume de contos Papéis Avulsos: «Com o andar do tempo, estendeu ele a aversão às próprias caras, quando eram bonitas, ou tidas como tais.» Em que diferem? Quem errou?

 

[Texto 5749]

Helder Guégués às 13:36 | comentar | ver comentários (2) | favorito

«Azeite extra virgem/azeite virgem extra»

Vendo bem...

 

   «Extra virgin olive oil is made simply by crushing olives and extracting the juice.» Tiveram de vir à Andaluzia ver que é assim, porque eles não sabiam. Mas reparem: extra virgin olive oil. Até eu andava enganado. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «extravirgem, adjectivo de 2 géneros diz-se do azeite com um grau de acidez inferior a 1%». Ora, se por vezes também se diz «azeite virgem extra», é porque «extra» não é prefixo de «virgem», antes modifica o substantivo «azeite» para indicar a sua qualidade superior.

 

[Texto 5748]

Helder Guégués às 12:16 | comentar | favorito

Ortografia: «sacroileíte»

Sacro e leite?

 

      «Sacroileite», escreve o autor. Segue, pois, o que regista o Dicionário de Termos Médicos da Porto Editora. Mas já tenho lido «sacro-ileite», «sacro-ileíte» e «sacroileíte». Rebelo Gonçalves só regista «sacroilíaco». Ora, de sacro + ileíte só podemos ter sacroileíte. Com este caos não se preocupam os nossos Becharas e Malacas.

 

[Texto 5747]

Helder Guégués às 11:17 | comentar | ver comentários (5) | favorito
10
Abr 15

«Amaríssimo/amarguíssimo»

Mais um pontapé

 

     Voltei, por iniciativa própria, aos Pontapés na Gramática, na Antena 3, onde julga pontificar Sandra Duarte Tavares. O que eu ando a perder! Não é preciso escolher, pode ser o programa de 23 de Julho de 2014. Vamos à conclusão, para abreviar: «Portanto, “amaríssimo” é o superlativo de “amargo” e a forma, que seria a regra geral, “amarguíssimo” nunca ficou atestada na língua.»

      Não foi na universidade nem ontem; na escola primária, aprendi que o adjectivo «amargo» tem duplo superlativo absoluto sintético, amaríssimo e amarguíssimo. O primeiro erudito, proveniente do latim, o segundo de génese popular. E as gramáticas actuais abundam na opinião. Portanto, anda a propinar impunemente más lições de português.

      «E, conquanto nem parecesse ele reparar neste seu servo, concentrado como estava na sordidez e na desordem, como amarguíssimo veneno que me corroía, em convulsivas maldições prorrompi, contra sua natureza e as criaturas de tal arte» (O Anel de Basalto e Outras Narrativas, Mário Cláudio).

 

[Texto 5746]

Helder Guégués às 08:03 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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