18
Abr 15

Plural de «pirex»

Dantes, em Badajoz

 

      «E então quando, pelo meio das cenas, ainda aparece uma mulher nua a gabar as virtudes de um creme contra a celulite, ou um mordomo a limpar pirexes com um algodão que nunca se engana — tudo piora» (Caderno de Agosto, Alice Vieira. Lisboa: Editorial Caminho, 2006, 4.ª ed., p. 63).

    Há, bem no sei  (homenagem a Garrett), gramáticas, prontuários e dicionários que ensinam que é invariável, mas na oralidade, no seu uso comum, é sempre assim: pirexes.

 

[Texto 5769]

Helder Guégués às 16:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «cassúbio»

Nada disso

 

   «Filho de um alemão merceeiro e de uma Kashubian (minoria eslava), [Günter Grass] cresceu entre o crucifixo católico e a imagem de Hitler» («Günter Grass (1927-2015)», Dulce Neto, Sábado, 16.04.2015, p. 32).

   E porque não, poderá alguém pensar, filho de um «Alemão merceeiro»? Simplesmente ridículo. A mãe de Günter Grass era cassúbia ou cassubiana. Tal como sucede com os topónimos de línguas estrangeiras, também devemos procurar substituir os gentílicos estrangeiros por formas vernáculas equivalentes.

 

[Texto 5768]

Helder Guégués às 12:31 | comentar | favorito
18
Abr 15

Léxico: «chave da mão»

Tirada do pó

 

      «Aqui [Luvaria Ulisses], o procedimento é sempre o mesmo: depois de aferir “o tamanho da chave da mão” do cliente (ou medida, para os leigos) Carlos vai buscar alguns modelos. E prossegue o ritual. Primeiro, prepara a luva com um abridor, enfiando-o em cada dedo. Depois, polvilha um pouco de pó de talco no interior, e só então calça a luva ao cliente, que tem o cotovelo confortavelmente apoiado num almofada, em cima do balcão» («Aqui quase só entram turistas», Carla Amaro, Sábado, 16.04.2015, p. 68).

      É expressão que estava nos dicionários mais antigos, como no de Fr. Domingos Vieira: «Chave da mão, o espaço que há entre o polegar e o índex, ou da raiz do dedo polegar até o dedo mínimo, espaço em que os dedos da mão fechada fazem força.»

      Sobre «pó de talco», ocorre-me isto: no «Vocabulário de Mudança», do ILTEC, diz-se que na «ortografia antiga» se escrevia «pó-de-talco» e na «ortografia nova» se escreve «pó de talco». Isto não é verdade. Por comparação com «pó-de-arroz», por exemplo, há quem tenha começado a usar hífenes na expressão, mas sem razão, pois não se trata de uma unidade semântica — é mesmo talco em pó, pó de talco.

 

[Texto 5767]

Helder Guégués às 08:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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