22
Abr 15

«Expressão mamária»

Mas estranha

 

      «O anúncio surge depois de o PÚBLICO ter divulgado os casos de duas enfermeiras, uma do Hospital de Santo António e outra do Hospital de S. João, que dizem ter tido que comprovar que estavam a amamentar “espremendo as mamas” em frente a médicos de consultas de saúde ocupacional. O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Porto (que integra o Hospital de Santo António) já admitiu que a metodologia da “expressão mamária” era uma das três hipóteses propostas às funcionárias para provarem que ainda têm leite e anunciou que ia rever este “protocolo”, devido ao “escândalo” gerado» («Médica acusada de tentar assaltar uma ourivesaria alega que estava a alucinar», Alexandra Campos, Público, 22.04.2015, p. 13).

      Expressão mamária. Tendo em conta a etimologia da palavra, está certa — é o acto ou facto de espremer —, mas também é estranha.

 

[Texto 5783]

Helder Guégués às 22:11 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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Ortografia: «médico-legista»

Não se percebe porquê

 

      «Quando entrou no centro comercial Roma, em Lisboa, no dia a seguir ao Natal, era apenas uma loura bem arranjada. Quando saiu, escoltada pela polícia, a vida da médica legista tinha mudado: tentara levar à força de uma ourivesaria de antiguidades peças de ouro de mais de sete mil euros» («Médica acusada de tentar assaltar uma ourivesaria alega que estava a alucinar», Ana Henriques, Público, 22.04.2015, p. 12).

      Não percebo porque é que no Público nunca grafam a palavra com hífen. Rebelo Gonçalves só regista «médico-cirurgião», em tudo igual. Dicionários e prontuários e mesmo algumas gramáticas é médico-legista que registam.

 

[Texto 5782]

Helder Guégués às 21:53 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Tradução: «repera patatera»

Mais um contributo

 

      Perguntado, na comissão parlamentar, sobre se tinha todos os dados da amnistia fiscal, Santiago Menéndez, director da Agência Tributária espanhola, respondeu: «Yo dispongo de todos los datos y son la repera, la repera patatera.» Muito coloquial: ser la repera serve para indicar que uma coisa ou pessoa é extraordinária, que é o máximo, para o bem ou para o mal. Patatera, no caso, acrescenta-se somente como ênfase, qual rípio. É mais habitual ouvir-se repera limonera. Que eu saiba, não está em nenhum dicionário de espanhol-português, com as consequências que já conhecemos.

 

[Texto 5781]

Helder Guégués às 12:51 | comentar | favorito

«Híper» e «súper» e agora plural

Também sem desculpa

 

      «Os trabalhadores dos hiper e supermercados decidiram avançar com uma greve no dia 1 de Maio em protesto contra as condições de trabalho, horários e propostas de aumentos salariais feitas pelas empresas do sector. A decisão foi tomada depois de um encontro de dirigentes sindicais que pertencem à Federação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio[,] Escritórios e Serviços (FEPCES)» («“Hipers” e “supers” com greve no dia 1 de Maio», Ana Rute Silva, Público, 22.04.2015, p. 20).

      Meus senhores, está muito bem a cruzada contra o Acordo Ortográfico de 1990, que é uma trampa e um embuste, mas têm obrigação de escrever correctamente. Acham mesmo que se escreve como o fizeram?

 

[Texto 5780]

Helder Guégués às 09:40 | comentar | favorito
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22
Abr 15

Tradução: «machete»

Sem desculpa

 

      «O aluno entrou na escola munido de uma besta, uma faca, uma pistola de chumbos e material para preparar um cocktail molotov, tendo atingido mortalmente um professor e ferido outras quatro pessoas, dois alunos e dois docentes, antes de ser imobilizado por um professor» («Menor que matou professor em escola de Barcelona gostava de “coisas do exército”», António Saraiva Lima, Público, 22.04.2015, p. 24).

      Em toda a imprensa espanhola se lê que o aluno ia armado «con un machete y la ballesta», não «con un cuchillo» ou «con un puñal». Um machete (e nós também temos a palavra*) é, segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, a «arma blanca, más corta que la espada, ancha, pesada y de un solo filo» ou um «cuchillo grande que sirve para desmontar, cortar la caña de azúcar y outros usos». Na imprensa em língua inglesa, vejam bem, usou-se o termo dagger e... machete. Pois é. Da pressa não foi, até porque o artigo tem esta notinha: «Texto editado por Joana Amado». Não quiseram ofender o ministro dos Negócios Estrangeiros...

 

[Texto 5779]

 

 

* «Grande faca-de-mato para abrir passagem nas florestas», regista o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora — mas depois esquece-se de incluir o verbete de «faca-de-mato».

Helder Guégués às 09:28 | comentar | favorito
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