27
Abr 15

21POLICIA

Aprender e ensinar

 

    Um carro (com as portas destrancadas) atravessado à frente do portão impediu-me a saída de casa. Umas buzinadelas prolongadas, toques nas campainhas das casas mais próximas (bordel, duas clínicas, lar de idosos...) a indagar, e nada. Meia hora de espera. E o número da Polícia, que não o tenho aqui? Passou um casal e o homem diz-me: «Marque 21POLICIA.» Mnemónica genial. Agora sei que até está no teletexto da RTP. Explicando melhor: no teclado alfanumérico (quase todos, actualmente) do telefone fixo ou móvel, marcamos 21 e de seguida premimos as teclas correspondentes às letras da palavra «polícia». No final, teremos o número 217 654 242, que é o do Comando Metropolitano da PSP. A quem nos atender, basta pedir o número de telefone da esquadra pretendida.

 

[Texto 5799]

Helder Guégués às 23:30 | comentar | favorito
27
Abr 15

Sobre o símbolo de hora

Para dar a cor local

 

      «Churchill terá ficado encantado e chegou a tentar persuadir um dos empregados — o senhor Joseph — a passar a trabalhar para ele. Mas um dos empregados de Churchill avisou Joseph: “Não se meta nisso. Ele tem uns horários impossíveis. Trabalhamos das 6h da manhã até depois da meia-noite e eu já mal me aguento em pé.” E Joseph decidiu continuar no Reid’s, vindo a tornar-se o seu famoso “hall porter”» («Recordando Churchill
 e o 25 de Abril, na Madeira», João Carlos Espada, Público, 27.04.2015, p. 45).

      Querem ver que hall porter é intraduzível? Ou é por ser no Reid’s? E esta mania de colar os símbolos das unidades aos algarismos?

 

[Texto 5798]

Helder Guégués às 21:15 | comentar | favorito
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26
Abr 15

Como se escreve nos jornais

Algo me diz que não

 

    «O ator [L. DiCaprio], um acérrimo arrivista contra as alterações climáticas e mensageiro da paz da ONU, viajou seis vezes de jato privado» («DiCaprio: de guerreiro ambiental a “hipócrita”», Márcia Gurgel, Diário de Notícias, 25.04.2015, p. 55).

   «Acérrimo arrivista»... Será que era mesmo isto que queriam escrever? Sabe Deus. Pelo sim, pelo não, é melhor sugerir-lhes que consultem um dicionário.

 

[Texto 5797] 

Helder Guégués às 23:57 | comentar | ver comentários (1) | favorito (1)
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Léxico: «taparuere»

Também são bons

 

      «Este Pereira — segreda-me o Rafael —, quando vier a liberdade, tem um grande futuro à frente dele a vender taparueres» (Santo Desejo, Pedro Alçada Baptista. Lisboa: Editorial Presença, 2004, p. 74).

      Nas obras de António Lobo Antunes também há — tinha de haver — taparueres. Não se vê muito, mas nunca a vi como aportuguesamento burlesco.

 

[Texto 5796]

Helder Guégués às 22:14 | comentar | ver comentários (4) | favorito

«Sem dizer água vai»

Sem avisar

 

      «Chega a umas termas, senta-se, volta-se para o vizinho da direita e, sem dizer água-vai, conta-lhe a vida» (Diário, Vols. I a IV, Miguel Torga. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2009, p. 63).

      Não sei para que se há-de escrever com hífen. E Miguel Torga (se não foi perpetrado pelo revisor) não foi o único a fazê-lo. Entre outros, Cristóvão de Aguiar, nas suas Charlas sobre a Língua Portuguesa, também usa o hífen. Em nenhum caso, nem para referir o medieval água vai nem (muito menos, diria) na expressão «sem dizer água vai» se tem de empregar o tracinho. A propósito, a esta última Botelho de Amaral escreveu-a assim: «Sem dizer: água vai!»

 

[Texto 5795]

Helder Guégués às 18:30 | comentar | ver comentários (4) | favorito

«Atestado em como»

Não me soa

 

      Tinha de apresentar um atestado, escreve o autor, «em como auferia um ordenado suficiente para manter a esposa». Só eu é que acho a frase um pouco torta? Façam o favor de reparar em como não estou a pôr em causa, de forma genérica — como acabei de demonstrar com esta frase —, a construção «em como», apenas o seu uso naquele contexto, «atestado em como». É da preposição?

 

[Texto 5794]

Helder Guégués às 17:10 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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«Mestra-escola»

Não só homens

 

      Estou a ver, creio que pela segunda vez na vida, a palavra mestra-escola. Antes, já o lera aqui: «Quem porém a olharia algo de soslaio seria Judith, menos por ver na mestra-escola a concorrente ao afecto do pai reencontrado do que por suspeitar nela a adventícia movida pela ganância da promoção social» (Tiago Veiga — Uma Biografia, Mário Cláudio. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2011, p. 446).

 

[Texto 5793]

Helder Guégués às 16:49 | comentar | favorito
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26
Abr 15

«Os Lusíadas» na íntegra

Ora tomem

 

      Ora cá está um caso curioso: «Camões [...] teve de negociar com o Santo Ofício a autorização de publicar os seus Lusíadas». Imagine-se que o autor era um desses picuinhas que querem manter os artigos, e, em especial, evitam contracções, lançando mão do apóstrofo, recurso que se não devia usar nestes casos. Decerto que não ia escrever — o Diabo seja cego, surdo, mudo, paralítico e tudo! — «os seus Os Lusíadas». Claro que podia dar a volta à frase e escrever, por exemplo, «publicar o seu poema Os Lusíadas». Tal como está, porém, não iria enfiar ali o artigo só para seguir a rajatabla, como dizem os Espanhóis, a putativa regra. Pode ser que o caso os deixe a reflectir.

 

[Texto 5792]

Helder Guégués às 14:05 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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