01
Mai 15

«Subumano» e «subepático»?

Aqui, dormitaram

 

    O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras (ABL) regista sub-humano e... subumano, assim como sub-hepático e... subepático. Também o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, na grafia antes do AOLP90, regista as grafias sub-humano e subumano. É verdade que temos desumano e inumano, das quais o h desapareceu, mas, ainda assim, causa estranheza. Tendo em conta (e que outra coisa podíamos ter em conta?) a Base XVI, seria apenas sub-humano e sub-hepático. A ABL tem necessariamente de rever estes verbetes e quem usa estas grafias deve passar a usar a cabeça.

   Segundo o Acordo Ortográfico de 1945, emprega-se o hífen nos compostos formados com o prefixo sub (ou sob), «quando o segundo elemento começa por b, por h (salvo se não tem vida autónoma: subastar, em vez de sub-hastar)». Então, humano e hepático não têm vida autónoma?

 

[Texto 5810]

Helder Guégués às 20:51 | comentar | ver comentários (2) | favorito
Etiquetas: ,

«Iniciativas cidadãs»

Já lá está

 

      «Se logo após o final da guerra se decidiu que era preciso ter uma instituição que assinalasse o percurso nazi da capital bávara, o museu que agora abre teve um percurso demorado — após várias iniciativas cidadãs nos anos 1970, foi finalmente aberto um concurso em 1991» («Munique enfrenta o seu passado nazi com abertura de museu», Maria João Guimarães, Público, 1.05.2015, p. 23).

    Entrou em alguns dicionários, para já, ainda sub-repticiamente: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe a locução «jornalismo cidadão». É o princípio.

 

[Texto 5809]

Helder Guégués às 14:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito
01
Mai 15

Em francês, mas disfarçado

Não é intocável

 

      «Agora, a ideia é fazer o mesmo com o país: a tradição ajuda. Soares como Sampaio estão ali para o trabalho sujo. Sampaio com o vácuo de uma cabeça onde nunca entrou nada; Soares com ar rusé, que de quem continua a puxar os fios da intriga. E Manuel Alegre com a sua insofrível jactância e pretensão moral» («Degradação», Vasco Pulido Valente, Público, 1.05.2015, p. 52).

      O cronista não encontrou nada de remotamente semelhante ao francês rusé. (E que mau hábito este jornal não grafar os termos estrangeiros em itálico!). Mas rusé é simplesmente astuto, manhoso, matreiro... Aquele «que de quem» demonstra que o autor não releu o texto. Aliás, que ninguém o fez.

 

[Texto 5808]

Helder Guégués às 14:11 | comentar | ver comentários (1) | favorito
Etiquetas: ,