26
Mai 15

Léxico: «lide»

E porque não?

 

      Confesso: nunca tinha visto. O texto falava de lide, e não se referia a labuta, lida, nem a questões judiciais ou ao toureio. Nada disso. Pretendia-se designar a linha ou «parágrafo inicial que apresenta de forma concisa e objectiva o assunto que se desenvolve na reportagem» (lanço mão da definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Isso mesmo, é o aportuguesamento do inglês lead.

 

[Texto 5904]

Helder Guégués às 23:06 | comentar | ver comentários (2) | favorito

Léxico: «agendista»

Gostam mais de outras

 

   «Um deles era o Saraiva Mendes (1927-2010), que era agendista», leio aqui num livro. Ora, em nenhum dicionário encontro a palavra. Os dicionaristas gostam mais de palavras como «entroikado», muito mais úteis e vistosas nas «redes sociais». Ao que apurei, agendista era o que secretariava a redacção. É isto?

 

[Texto 5903]

Helder Guégués às 15:53 | comentar | favorito
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Acordo Ortográfico reavaliado

Ora diga lá

 

   Hoje de manhã, ao ouvir uma notícia sobre Sampaio da Nóvoa, ocorreu-me que este candidato devia tomar posição sobre o novíssimo acordo ortográfico. A meio da manhã, recebi o desafio de um leitor: «Lendo a Carta de Princípios de Sampaio da Nóvoa (3451 palavras), diga lá se ele segue ou não o AO90.» Pelo que vi, não usa nenhuma palavra que tivesse de mudar com o Acordo Ortográfico de 1990. Inteligente. Lembrei-me logo de Fernando Venâncio, que, num comentário aqui no Linguagista, confessou que quando lhe era solicitado um texto em que devesse seguir as novas regras ortográficas, procurava sempre não usar nenhuma que fosse alterada. Exercício difícil, e, com certas temáticas, impossível, mesmo com recurso à sinonímia. Soube entretanto que ontem à noite, em Amarante, num debate, Sampaio da Nóvoa considerou que o AO «deve ser reavaliado com muita determinação».

 

[Texto 5902]

Helder Guégués às 14:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Diminutivos toponímicos

Ah, os vizinhos

 

      Neste Dia Europeu dos Vizinhos, o repórter Mário Antunes, da Antena 1, foi falar com Marcelino Vicente, único habitante na aldeia de Barbelote, em Monchique. A aldeia chegou a ter à volta de 30 almas. «Havia escola ali em cima, está hoje ali tudo ematagado.» Com 88 anos*, aprecia, ora não, o silêncio, o sossego, «mas já à noite é uma escuridão», não por falta de electricidade, que de facto não tem, mas por estar sozinho. Há muito que não ouvia este sentido figurado de «escuridão», tristeza profunda.

      Barbelote é, sem nenhuma dúvida, um topónimo interessante. É, como há tantos no Algarve, um diminutivo toponímico**, como Almarginho, Almarjanito, Carrapitotas, Estorniquete, Fuseta***, Marmelete, Navete, S.to Antonico, etc.

 

 

[Texto 5901]

 

* Em reportagem de Fevereiro, no Jornal de Notícias, lia-se que tinha 70 anos...

** Em catalão, por exemplo, também há dminutivos toponímicos. Barceloneta é o primeiro que nos ocorre, mas há mais: Gironella, Caldetes, Monistrolet, Oleseta, Quatretondeta, Sarroqueta, Suquets, Vilagrasseta, Vilanoveta, etc.

 *** Que voltei a ver mal escrita (na Sábado?) na semana passada.

Helder Guégués às 10:14 | comentar | favorito
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Absorção, adsorção, sorção, dessorção

Dois passos para trás

 

      «De acordo com esta fórmula, o artigo que ficou em primeiro lugar deste coeficiente é da área da química: publicado em 1906 e dedicado à adsorção em soluções, só começou a ser verdadeiramente citado em 2002, atingindo cerca de 300 citações — ou seja, esteve adormecido durante quase cem anos e, de repente, teve uma alta taxa de citação» («Há artigos científicos que são belas adormecidas e um dia acordam», Nicolau Ferreira, Público, 26.05.2015, p. 29).

      Ainda recentemente, há menos de dois meses, corrigi um texto em que o autor escrevera «absorção» quando era claramente — porque se tratava de gases num líquido — «adsorção». Curiosamente, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista sorção nem dessorção, termos que se encontram na 1.ª actualização da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

 

[Texto 5900] 

Helder Guégués às 09:04 | comentar | ver comentários (2) | favorito
26
Mai 15

Como se escreve nos jornais

Inacreditável

 

      «Jikulumessu, nome na língua kimbundu que significa Abre o Olho, é uma história centrada em dois momentos da vida de um jovem angolano, Joel Kapala (interpretado por Fernando Mailoge), que é vítima de bullying na escola, perde a mãe e, anos mais tarde, regressa de Nova Iorque a Luanda para se vingar dos seus agressores» («A novela angolana do beijo polémico estreia-se esta noite na RTP», Joana Amaral Cardoso, Público, 26.05.2015, p. 32).

   «Língua kimbundu», Joana Amaral Cardoso? É como se dissesse «língua português», ou, para compensar aquele k, «língua poortuguês». Veja: quimbundo, língua quimbunda.

 

[Texto 5899]

Helder Guégués às 07:29 | comentar | favorito
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