30
Mai 15

Vocabulário de nomes clássicos

Uma questão de gramática

 

      «Em poucos minutos, houve-se um trovão...» Depois disto, desisti de explicar ao autor que o nome Acrotelêucio (para a legião de anglófonos que nos segue, Acroteleutium) é feminino, era uma rameira protegida de Periplectómeno, no Soldado Fanfarrão, de Plauto. Está a fazer falta um bom vocabulário de nomes clássicos e não só.

 

[Texto 5923]

Helder Guégués às 16:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Quem tem jurisdição

Uma questão de direito

 

      «O livro Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola, do jornalista angolano Rafael Marques, vai ser publicado em Itália, disse à Lusa a directora da editora Tinta da China, Bárbara Bulhosa. O tribunal provincial de Luanda condenou Marques a seis meses de prisão com pena suspensa no processo de difamação sobre a violação de direitos humanos na exploração diamantífera, apesar de um acordo do jornalista com os generais queixosos. A sentença prevê a retirada do mercado do livro e impede a sua reedição e tradução por seis meses. “A editora Tinta da China não vai cancelar a publicação porque a decisão do juiz não tem jurisdição na Europa”, disse a responsável pela editora que publicou o livro em Portugal» («Diamantes de Sangue vai ser publicado em Itália em Junho”», Público, 30.05.2015, p. 32).

      É a decisão que não tem jurisdição ou o próprio juiz? E porque é que o nome da editora não tem hífenes, pode saber-se?

 

[Texto 5922]

Helder Guégués às 13:48 | comentar | favorito
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As recensões nas nossas publicações

Más práticas

 

      «Um dos grandes lançamentos em Portugal do primeiro semestre de 2015 é sem dúvida Tudo o Que Conta, primeiro livro publicado no nosso país do escritor americano James Salter, que no próximo 10 de Junho faz 90 anos» («Demorou 90 anos a chegar», Marco Alves, «GPS»/Sábado, 28.05.2015, p. 26). E por aí fora, um quarto de página e nem uma palavra para informar o leitor de quem é o tradutor. É como se os livros se traduzissem por si mesmos. Na ficha por baixo da imagem da capa, o título, o autor, a editora, o número de páginas e o preço — nada mais. Ora, nesta ficha tinha de estar, até para evitar esquecimentos do recenseador, o nome do tradutor, há espaço para isso e, sobretudo, interesse do leitor. No caso, o tradutor foi Francisco Agarez, o que é garantia de qualidade. E também deviam indicar que há versão digital do livro. Podem ver um excerto da tradução aqui.

 

[Texto 5921]

Helder Guégués às 08:42 | comentar | ver comentários (3) | favorito
30
Mai 15

Léxico: «três-em-um»

Está na hora

 

      «Parece ficção científica, mas não: o Aqualibrium Garden é um objecto de design, um aquário e uma horta doméstica. É um três-em-um que se arruma facilmente em qualquer divisão da casa, por muito pequena que seja, e ainda lhe dá cor — ao mesmo tempo que ajuda a cultivar ervas aromáticas ou vegetais que não necessitem de muito espaço para crescer» («A multiplicação dos peixes e dos vegetais», Ágata Xavier, «GPS»/Sábado, 28.05.2015, p. 42).

    Três-em-um. Não o vi em nenhum dicionário, o que é mau, pois leva a grafias completamente disparatadas.

 

[Texto 5920]

Helder Guégués às 08:39 | comentar | favorito
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29
Mai 15

Léxico: «crol»

Nunca tinha visto

 

   Eu já sabia que crawl estava aportuguesado em crol em alguns dicionários. E já tinha visto alguém usar? Pois, isso não. «Provoca vários efeitos positivos quando se nada crol com o tubo e isso sente-se quando se coloca o tubo» («Nada com um tubo mais rápido», Sport Life, n.º 158, Maio de 2015, p. 69). E se uma revista assim, apenas sobre desporto, usa a palavra aportuguesada, os mais renitentes ficam mais convencidos.

 

[Texto 5919]

Helder Guégués às 14:51 | comentar | ver comentários (1) | favorito

«Nada nem ninguém»

Parece soma, mas não

 

   «Está de dieta? Esqueça. Depois de conhecer a Nut, nada nem ninguém vão conseguir mantê-lo afastado das delícias que ali se fazem» («Prazer irresistível», Maria João Lima, Marketeer, n.º 226, Maio de 2015, p. 130).

  Porquê o verbo no plural? «Depois de conhecer a Nut, nada nem ninguém vai conseguir mantê-lo afastado das delícias que ali se fazem.» Já aqui tínhamos visto um caso mais intrincado.

 

[Texto 5918]

Helder Guégués às 11:24 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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29
Mai 15

Ortografia: «omíada»

Muito parecido

 

      «E, entre irmãos mais novos, e um tio, prosseguem o percurso dentro do templo, para a sala seguinte, de abóbada muito alta, onde está um túmulo coberto por mais cetins cheios de nós. Eis a última morada de Adi Ibn Musafir, um sheikh do século XII, descendente do califa omeída, que nasceu no Líbano, junto aos belos templos de Baalbek e veio morrer aqui, depois de passar parte da vida em Bagdad» («O lugar sagrado dos yazidis sobrevive à guerra do “Estado Islâmico”», Alexandra Lucas Pires, Público, 29.05.2015, p. 27).

      «Califa omeída»? Não. Califa omíada. E é óbvio que Adi Ibn Musafir era xeque e não sheikh.

 

[Texto 5917] 

Helder Guégués às 10:29 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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28
Mai 15
28
Mai 15

Léxico: «olhete»

Pequeno buraco ou cavidade

 

      «À medida que vai dando relevo às caravelas, Paula explica a utilidade dos diferentes cinzéis. “Temos uns mais curvos e outros mais direitos, que servem para modelar e contornar os desenhos e outros que dão a textura. Por exemplo, estes são olhetes, apropriados para fazer bolinhas”, aponta» («Um mês para fazer a taça», Carlos Torres, Sábado, 28.05.2015, p. 89).

 

[Texto 5916]

Helder Guégués às 22:38 | comentar | favorito
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