02
Jun 15
02
Jun 15

Pés-de-galinha e pés de galinha

Uma esperança vã

 

      Como se não bastasse a incoerência do texto do Acordo Ortográfico de 1990, os intérpretes das suas regras não sabem distinguir casos diferentes. Sandra Duarte Tavares, na emissão de 27 de Maio dos Pontapés na Gramática, na Antena 3, lá veio ensinar os «prezados ouvintes» que, segundo o «acordo vigente», devem escrever «pé de galinha», a ruga no canto do olho, sem hífenes, reservando «pé-de-galinha» para o nome botânico. Sobre este último não há dúvidas (embora a sua aplicação deixe muito a desejar), mas temos mais dois sentidos, um denotativo e outro conotativo. Que fazemos? Confundimo-los? D’Silvas Filho já chamou a atenção para esta incoerência (exemplificando com pé de galinha, mas saco-roto) e sugeriu que se podia ultrapassar se o intérprete se deixasse de ortodoxias cegas.

 

[Texto 5935]

Helder Guégués às 08:32 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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01
Jun 15

Léxico: «vexilologia»

É a nossa bandeira: muito cuidado

 

    «A legislação sobre a bandeira nacional é mal conhecida (e incompleta), bem assim como as regras gerais da vexilologia. A resolução da AR 73/2006 (e sua rectificação) estabelece uma “bandeira da AR” que é universalmente insólita e que contraria a lei geral que regula o hastear da bandeira nacional nos edifícios públicos. Não há bandeiras nacionais antes do séc. XVII, até então usavam-se as bandeiras, pendões e flâmulas pessoais e das ordens. Actualmente há bandeiras e galhardetes pessoais, que indicam a presença da entidade (PR, ministros, chefes militares...), e colectivos (autarquias, associações, regiões...). O presidente da AR e os seus membros podem decidir usar uma bandeira ou um galhardete pessoal, mas não devem substituir a bandeira nacional em São Bento. Em todos os edifícios públicos e nos portos e aeroportos, devem içar-se em lugar de destaque a bandeira nacional, como acontece na generalidade dos países civilizados. Deve ser isenta de inscrições ou de uso desprestigiante e deve ser construída nas proporções adequadas e mantida em bom estado de conservação» («Bandeira nacional», secção «Cartas à directora», J. Carvalho, Público, 1.06.2015, p. 44).

     Para quem não sabia, fica a saber: a vexilologia é a disciplina que se dedica ao estudo da história e da simbologia das bandeiras e estandartes. Ah, sim, mais vale prevenir: o x vale aqui cs, como, por exemplo, em «obnóxio» (mas aqui ouvimos, com espanto e incredulidade, Clara Ferreira Alves pronunciar /obnóchia/. Não, não foi na década de 70, foi no ano passado: O Que fica do Que Passa, Canal Q, 31.01.2014). Também temos uma bandeira: com palavras menos vulgares, muito cuidado com a ortografia e a pronúncia.

 

[Texto 5934]

Helder Guégués às 22:51 | comentar | favorito
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Léxico: «fotopletismografia»

Neste caso, não nos importamos

 

      Com que então, para medir o ritmo cardíaco, o Apple Watch usa a fotopletismografia... Pois não está nos dicionários. Apenas, e neste caso talvez seja suficiente, pletismografia, que é o uso do plestismógrafo: aparelho que serve para o estudo das alterações de volume dos órgãos provocadas pela circulação sanguínea. Lá para a 5.ª edição do Apple Watch isto vai estar a funcionar bem. Prefiro esperar pelo mais versátil Pebble Time Steel.

 

[Texto 5933]

Helder Guégués às 22:20 | comentar | favorito
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01
Jun 15

«Vale a pena»

Com menos caracteres

 

      «Ainda sobre a sofrida, sofridíssima vitória do Sporting na final da Taça de Portugal contra o Braga, temos hoje dois textos que valem a pena ser lidos» («SCP — Sofrimento Clube de Portugal», Martim Silva, Expresso Diário, 1.06.2015).

      É evidente que «pena» não é o sujeito de «valer», mas, ainda assim, a tendência é para usar a locução como invariável. No caso, devia dizer-se, evitando a voz passiva: «Dois textos que vale a pena ler.»

 

[Texto 5932]

Helder Guégués às 21:02 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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