08
Jul 15

Cultura clássica

Pelas ruas da amargura

 

      E a propósito de clássicos... Há por aí, esperemos que apenas no formato digital, uma edição dos Maias, já deste ano, da Nulla Publishing, «ao abrigo do Acordo Ortográfico», e lá aparece tudo certinho, o «ato da formatura de Carlos», «o ato de amor», «o ato de contrição»... Na página 64, este murro nos olhos: o «caso dos Grachos»... Ah, Juvenal, Juvenal... Será que algum dia compreenderão? Quis tulerit Gracchos de seditione quærentes?

 

[Texto 6034]

Helder Guégués às 14:27 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Ortografia: «Éfeso»

Tanta cultura, tanto cuidado

 

      «E os escolhidos para Património Mundial da Humanidade da Unesco de 2015 são...», escreve no Observador o jornalista João de Almeida Dias, «23. Turquia: Ephesus, cidade da Grécia Antiga.» Ainda não descobriram a Grécia. Éfeso, João de Almeida Dias, Éfeso.

 

[Texto 6033]

Helder Guégués às 13:17 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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Léxico: «espertalhufo»

Fazes falta

 

     Depois de anos e anos sem ouvir nem ler a palavra «espertalhufo», ontem um interlocutor meu usou-a. É preciso não deixarmos morrer estas palavras expressivas.

     «Há patrões ruins, eu que o diga, que tenho conhecido alguns bem maus. Espertalhufos! São todos uns reguilas! A gente sabe. Nem são precisos adjectivos. Basta dizer “patrão”. Agora um chefe, um chefe de secção, é pior, é ainda pior!» (As Grades e o Rio, Urbano Tavares Rodrigues. Porto: Editorial Inova, 1974, p. 11).

 

[Texto 6032]

Helder Guégués às 09:08 | comentar | favorito
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08
Jul 15

Acordo Ortográfico repensado

«Talvez tenhamos errado»

 

      «“Talvez tenhamos errado no acordo ortográfico”, declarou o ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, na apresentação do Fólio. Juca Ferreira anunciou que quer realizar no próximo ano,
 no Brasil, um “grande encontro sobre a língua portuguesa”
 onde os protagonistas serão os criadores e não os legisladores. “O fortalecimento da 
língua portuguesa tem nos criadores o epicentro”, afirmou. Quem normaliza tem de vir depois, para construir “as possibilidades de uma ortografia comum, de um sistema comum que permita que a língua portuguesa 
se fortaleça”. Mas “são os criadores que permitem uma base comum da nossa língua”. O modo como o actual acordo ortográfico foi pensado e aplicado nos países lusófonos mereceu mais críticas, embora cautelosas, do governante brasileiro: “Pensámos mais na normatização como epicentro desse processo de cooperação e de fortalecimento da 
língua e talvez tenha havido 
um descuido em relação à construção desse ambiente de cooperação na área da criação”» («Acordo Ortográfio: “Talvez tenhamos errado”», Público, 8.07.2015, p. 30).

 

[Texto 6031]

Helder Guégués às 08:05 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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