30
Jul 15

«Assustar os mercados»

Os mercados antropomorfizados

 

      «Ega gritou sofregamente pela receita. Simplesmente isto: manter uma agitação revolucionária constante; nas vésperas de se lançarem os empréstimos haver duzentos maganões decididos que caíssem à pancada na municipal e quebrassem os candeeiros com vivas à República; telegrafar isto em letras bem gordas para os jornais de Paris, Londres e do Rio de Janeiro; assustar os mercados, assustar o brasileiro, e a bancarrota estalava. Somente, como ele disse, isto não convinha a ninguém» (Os Maias, VI).

      Como se pode ver, já no século XIX os mercados, que hoje dominam a nossa vida, estavam antropomorfizados. E já nessa altura os políticos empurravam com a barriga (como agora se diz, de forma horrível, deselegante, imprecisa, num linguajar popular, sobretudo a propósito da Grécia) os problemas.

 

[Texto 6101]

Helder Guégués às 14:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Sobre «pigmeu»

Os *baka e os pigmeus...

 

    «“Populações humanas de pequena estatura existem em todos os continentes. O termo ‘pigmeu’ tem sido largamente usado para todas elas sem um fundamento biológico”, lê-se no artigo. “[Mas] como os estudos genéticos têm sugerido que os pigmeus africanos partilham um antepassado comum, há uma fundamentação biológica para a palavra ‘pigmeu’, se for restringida às populações africanas”, defende a equipa [num artigo publicado na última edição da revista Nature Communications]» («Pigmeus africanos, um símbolo da adaptação humana», Público, 30.07.2015, p. 27).

   Pelo menos em relação a isto, os dicionários parecem estar em sintonia com a ciência, pois referem que os pigmeus (vá lá, não escrevem «os pigmeu», à semelhança do que se lê no artigo acima: «Os baka, um grupo étnico que vive no Oeste da África equatorial, etc.») vivem sobretudo na África Central.

 

[Texto 6100]

Helder Guégués às 14:17 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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30
Jul 15

«Choramigar/choramingar»

Foi assim que ele escreveu

 

      «Mas a triste senhora continuava a choramigar.» Trata-se de Maria Eduarda Runa, mulher de Afonso da Maia. Eça de Queiroz foi assim que escreveu, «choramigar». Pois há por aí edições que alteraram para «choramingar»! Quando quis, noutros passos, Eça usou a variante «choramingar»: «O Domingos ficava choramingando com um lenço de cores sobre a face.» Lembram-se do que diz o Correcto nas Palestras com o Povo, de João de Castro Lopes? «O povo, meu Vicioso, gosta muito de nasalar as palavras desprovidas do n, e por isso é que também diz: planta-forma em vez de plata-forma, corpanzil, em lugar de corpazil, e outras.»

 

[Texto 6099]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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