02
Jul 15

«Impl... da República»

Não merecíamos mesmo isto

 

    Aqui, sugeri, ironicamente, que, com a tradução de certa frase («Pour pouvoir s’implanter et jouer leur rôle, etc.»), os falantes que dizem «implementação da República» já tinham um bom modelo. Hoje, mostraram-me uma pérola: no Portal Ensina, da RTP, pode ler-se (mas não o fixem por muito tempo, por causa dos pesadelos) «Implementação da República». Já não é um mito.

 

[Texto 6014]

Helder Guégués às 18:21 | comentar | favorito
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02
Jul 15

«Bem que podia»

É para cortar

 

      «A frase “Nunca pensámos viver este pesadelo — e o que vem aí pode ser pior” foi dita esta semana pela grega Katerina em Atenas na reportagem da enviada do PÚBLICO em Atenas, Maria João Guimarães. Mas bem que podia ter sido dita em 2001 por um qualquer argentino que nessa altura vivia dias muito parecidos com aqueles que estão hoje a ser vividos
 na Grécia» (do editorial do Público de hoje).

      A empregada da limpeza que tínhamos aqui do prédio (sim, a que padecia de «dores asiáticas») falava da mesma maneira. Seja expletivo ou não seja expletivo, não me parece digno de figurar num jornal, e em especial no seu editorial.

 

[Texto 6013]

Helder Guégués às 09:49 | comentar | favorito
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01
Jul 15

Acordo Ortográfico

E o fascismo pós-moderno

 

      «Admito que seja ainda exagerado falar-se de fascismo pós-moderno. Mas o crescimento da violência legal aplicada à solução de problemas políticos, sem réstia de democraticidade, mesmo 
que apenas formal, dará, a breve trecho, se continuarmos assim, total legitimidade ao uso da expressão. É aceitável a penhora da casa de família por dívidas irrisórias? Impor à paulada o desacordo ortográfico? Tomar eleitores por escravos sem pio de eurocratas não-eleitos, na paródia sinistra em que a Europa se transformou?» («Danos e dolo», Santana Castilho, Público, 1.07.2015, p. 45).

 

[Texto 6012]

Helder Guégués às 08:31 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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Léxico: «borogodó»

Só os Brasileiros têm

 

   «Quando perguntavam a Zé Trindade, um comediante nordestino, como é que conseguia conquistar tantas mulheres, ele respondia que tinha “borogodó”, um atractivo pessoal irresistível, segundo o dicionário Houaiss» («“Paraty é o borogodó da FLIP”», Isabel Coutinho, Público, 1.07.2015, p. 28).

     É uma daquelas palavras expressivas, criadas pela simples sugestão sonora, mais abundantes no português do Brasil, inventadas por não se sabe quem, e que pegam, como bagunça, fofoca, jururu, ziriguidum e outras. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que, destas cinco, só não regista a última, pode ler-se, porém, que borogodó é termo angolano.

 

[Texto 6011]

Helder Guégués às 08:23 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Ortografia: «call center»

Assim defendem a língua

 

      «Mas os defensores do “sim” no referendo recusam esta associação: “Eu trabalho num call-center, recebo 600 euros, e estou aqui”, diz uma jovem de cabelo curto que não quer ser identificada. “Se o ‘não’ ganhar, se calhar não tenho sequer trabalho. Nem eu tenho trabalho, nem talvez os meus pais tenham, e os meus avós poderão não ter reforma, ou esta desvalorizar ainda mais. E se eu posso emigrar, eles já não conseguem. É muito fácil ser do contra, mas o que propõem? A União Europeia nunca vai aceitar um acordo muito melhor.”» («Afinal, está tudo aberto em Atenas 
e em Bruxelas ainda se negoceia», Maria João Guimarães, Miguel Castro Mendes e Sofia Lorena, Público, 1.07.2015, p. 3).

   Se repetem os erros, tenho de repetir os avisos: sigo o que se recomenda no livro de estilo do jornal inglês The Times: «Call centre noun, two words; hyphen as adjective, eg, call-centre manager». O mesmo se recomenda, já aqui o vimos, em relação a fast food/fast-food. Devo ainda lembrar (ou, como diria certo crítico literário praticante do tarzanismo, «dizer ainda») que melhor seria traduzir a expressão para português. Centro de atendimento telefónico, ou mesmo apenas atendimento telefónico.

 

[Texto 6010]

Helder Guégués às 07:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito

Sobre «gastronomia»

Olhe que não

 

     «Foi precisamente na vasta correspondência de Camilo que Luís Machado procurou as referências a pratos favoritos. E chegou a vários, entre os quais os que foram servidos no jantar no Martinho da Arcada. Das suas pesquisas, Luís Machado destaca duas coisas: Camilo terá sido o primeiro escritor português a utilizar a palavra “gastronomia”, e tinha nessa área referências que poucos partilhariam» («Camilo entre anátemas de bacalhau e boémias de espírito», Alexandra Prado Coelho, Público, 1.07.2015, p. 31).

      Deve haver aqui alguma reserva mental. Silvestre Pinheiro Ferreira, que usou a palavra «gastronomia» num livro que veio a lume quando Camilo tinha 14 anos, publicou livros, mas não seria escritor.

 

[Texto 6009]

Helder Guégués às 06:56 | comentar | favorito
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01
Jul 15

Selecção vocabular

Queda de mais qualquer coisa

 

   «O Hércules C-130, o avião militar, despenhou-se pouco após a descolagem» (João Janes, noticiário das 5h30, TSF, 1.07.2015). Na rádio, não se notam muito as vírgulas fora do lugar, mas a má escolha de palavras não deixa nunca de se notar. «Pouco após»? Parece o nome de um povo indígena brasileiro, os Pocapós.

 

[Texto 6008]

Helder Guégués às 06:34 | comentar | favorito
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