29
Jul 15

«Forrobodó» ou «farrabadó»?

Fica a ideia

 

      «— Prometi não revelar à mulher do morto quem me falou dos farrabadós no parque» (Dama de Espadas — Crónica dos Loucos Amantes, Mário Zambujal. Lisboa: Clube do Autor, 5.ª ed., 2013, p. 205).

      É o que não falta nesta obra, gralhas e erros. Mas... e se «farrabadó» estiver certo? Vejam isto: «farra “momento de diversão”: dado como de origen controvertido, prob. expresivo, sudamericano, cs. o brasileño, parece más bien haberse generado como voz jergal en pt. peninsular, a consecuencia de contactos naf., del mar. fǝrḥa < cl. farḥah “festejo”, corroborado por el pt. farrabadó, en Houaiss sólo el armonizado forrobodó, lit. “fiesta de beduinos”, como venimos explicando desde 1996:55-54, con más detalles en 2008:298» («Los arabismos y otras voces medio-orientales del Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa», Federico Corriente. In Filol. Linguíst. Port., São Paulo, v. 15, n. spe, pp. 69-184, Dez. 2013).

 

[Texto 6096]

Helder Guégués às 07:03 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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29
Jul 15

Como se revê por aí

Merecia ser revista a sério

 

      «Ignoro quem são e o que serão um ao outro mas decido imaginá-los como um par de namorados com pressa de chegar a algum sítio onde não exista outra pressa se não a de engancharem de frente» (Dama de Espadas — Crónica dos Loucos Amantes, Mário Zambujal. Lisboa: Clube do Autor, 5.ª ed., 2013, pp. 143-44). «No primeiro relance topo dona Helena da pastelaria num vestido amarelo que se afigura na iminência de rebentar à rectaguarda» (idem, ibidem, p. 160). «Receio ter passado da alegria para a embriaguês e, pior, que ela tenha atingido a zona fatal do azedume» (idem, ibidem, p. 194). «Aí já foi lesta a Nélia Trabuquinhas, um azougue de olhar manso que se péla por crimes de morte e similares tragédias, fervor que a alçou a número dois da secção» (idem, ibidem, p. 198).

      É apenas uma pequena amostra, mas com erros bem diferentes entre si. Se depois de revista apresenta erros desta natureza, como estaria antes do «trabalho» do revisor?

 

[Texto 6095]

Helder Guégués às 00:36 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Jul 15

Léxico: «taina»

Duas confusões?

 

      «Já António tem uma grande curiosidade — a comida. “Sempre gostei muito de cozinhar, aliás, eu sou o taifa do agrupamento, por outras palavras, o cozinheiro. Acho que vai ser giro aprender umas coisas novas”, confessa» («Jamboree. De mochila às costas rumo ao Japão», Juliana Martins, Público, 28.07.2015, p. 13).

    Taifa nos escuteiros... E eu que pensava que taifa — um nome colectivo — só se aplicava ao pessoal subalterno da Marinha. Cada um desses serviçais da armada (como escreveu José Pedro Machado) tem o nome de taifeiro. E se este escuteiro queria dizer «taina»? Têm de consultar um dicionário.

 

[Texto 6094]

Helder Guégués às 08:25 | comentar | favorito
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Alguma explicação?

Hífenes já eram

 

      «Além de ir a banhos (sob a vigilância de dois nadadores salvadores) e de apanhar sol no areal, os veraneantes que decidirem fazer praia no centro de Lisboa poderão comer um gelado ou uma bola de berlim, sentar-se na esplanada (explorada por um comerciante local) a beber qualquer coisa ou participar numa das actividades previstas para o local: escalada (aos sábados e domingos entre as 18h e as 20h), aulas de ginástica em grupo (aos sábados às 18h) ou sessões de cinema ao ar livre (aos sábados às 21h30), este ano com filmes dos anos 80» («Na praia urbana do Torel, em Lisboa, a época balnear abre sexta-feira», Inês Boaventura, Público, 28.07.2015, p. 14).

 

[Texto 6093]

Helder Guégués às 08:22 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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28
Jul 15

Como se escreve por aí

Indigência fraseológica

 

      «Com orgulho, Vasco Morgado conta que em 2014, naquele que foi o seu ano de estreia, aquela que se apresenta como “a primeira praia urbana de Lisboa” foi destino de “excursões de Montemor, do Porto e de Castelo Branco”» («Na praia urbana do Torel, em Lisboa, a época balnear abre sexta-feira», Inês Boaventura, Público, 28.07.2015, p. 14).

     «Naquele que foi», «aquela que se apresenta»... O jornalismo hodierno em toda a sua indigência fraseológica.

 

[Texto 6092]

Helder Guégués às 08:20 | comentar | favorito
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27
Jul 15
27
Jul 15

Para lá de todos os acordos

Ortografem-me isso bem

 

      «Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico de 1990.» Pois... Na 5.ª edição, segue aquele acordo e segue até ortografias ainda não acordadas ou semiadormecidas: «Arrancou-me da cadeira, colocou um braço vigoroso em torno da minha cintura, levou-me para um quartinho pintado de azul claro com janela alegrada por uma cortina de ramagens» (Dama de Espadas — Crónica dos Loucos Amantes, Mário Zambujal. Lisboa: Clube do Autor, 5.ª ed., 2013, p. 24). «Hesitei, um assomo de amor próprio puxava-me a demonstrar que era demasiado adulto para ser tratado como um catraio, mas acabei por concordar» (idem, ibidem, p. 24). «Rosália concedeu-me um adeus tranquilo, como se fosse para um fim de semana no Algarve e voltasse já» (idem, ibidem, p. 34).

 

[Texto 6091]

Helder Guégués às 21:41 | comentar | favorito
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26
Jul 15

Uma gralha (?) especial

Até que a paciência nos abandone

 

    «Mulheres, africanas, guineenses. Trabalham de solo a solo para sustentar a família e pagar a escola dos filhos, que sonham um dia ver na universidade. Não se cansam de fazer perguntas, de querer saber mais. Algumas desejam ser mais livres, menos submissas, menos dependentes dos maridos, outras parecem não ver nisso um problema. Na próxima sexta-feira, 31 de Julho, celebra-se o Dia Internacional da Mulher Africana» («Ser mulher é difícil mas também é bom», Sofia da Palma Rodrigues, «2»/Público, 26.07.2015, p. 24).

     Com certeza que encontramos outras formas fantasiosas de o dizer: «de sal a sal», «de sala a sala», «de sola a sola», «de sul a sul», etc. Parece-me que se vai notando muito, cada vez mais, a falta de revisores.

 

[Texto 6090] 

Helder Guégués às 10:44 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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26
Jul 15

Uma casa de banho normal

Não insistam

 

      «“A fibra de vidro que hoje é usada absorve a água, que em vez de escorrer vai danificando o isolamento térmico à volta do avião e acaba por desgastar as paredes, os tectos, as casas-de-banho, o material electrónico”, exemplifica o gestor. Já o aerogel “obriga a que a água escorra para os drenos, evitando os riscos de curtos circuitos, por exemplo”, garante Bruno Ramos de Carvalho» («Mais económico e eficiente, o aerogel começou na TAP e agora quer a Airbus», Raquel Almeida Correia, Público, 26.07.2015, p. 26).

      Porque insiste o Público em grafar casa de banho com hífenes? Há-de ser para poder lamentar que, com o Acordo Ortográfico de 1990, os perca, como o outro diz sobre «cor de laranja». A ortografia apresenta, decerto, oscilações no uso do hífen em compostos cujos elementos são ligados pela preposição de, mas não compliquem ainda mais.

 

[Texto 6089]

Helder Guégués às 09:47 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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